Falta de conhecimento prejudica tratamento do linfoma

 

Apesar de estar entre os cinco tipos mais comuns de cancro, o linfoma ainda é pouco conhecido, o que aumenta o seu índice de fatalidade. De acordo com Rodrigo Bendlin, hematologista do Centro de Oncologia do Paraná, o facto de a doença não atacar um membro específico do corpo e contar com muitos subtipos acaba por dificultar a sua detecção, noticia o site brasileiro Abril.com.

 

O sistema linfático é responsável por distribuir e regular os fluidos corpóreos entre os tecidos do corpo. A parte mais activa deste sistema pode ser dividida basicamente entre vasos e linfonodos, pequenos órgãos que filtram os líquidos e produzem anticorpos. E é geralmente nos linfonodos que o linfoma aparece.

 

O especialista esclarece que o cancro causa um aumento não-doloroso desses órgãos, formando ínguas proeminentes que podem ser externas ou internas. Esses “caroços” costumam aparecer no pescoço, axilas e virilhas. Internamente, a incidência é maior no tórax e no abdómen.

 

Subtipos da doença


Embora seja relativamente pouco conhecido, o linfoma possui mais de 20 subcategorias, mais ou menos perigosas. De modo geral, estas subcategorias podem ser enquadradas em dois grandes grupos: os linfomas de Hodgkin e os não-Hodgkin. Os de Hodgkin são caracterizados por uma célula específica, chamada célula de Reed-Sternberg. Já os linfomas não-Hodgkin são mais graves, têm alto grau de malignidade e abrangem as outras categorias da doença. De acordo com a hematologista e oncologista pediatra Edna Carboni, este é o tipo que apresenta um crescimento mais acelerado.

 

De todas as subcategorias, o tipo mais perigoso é o linfoma de Burkitt. Como explica o médico, este é um tipo de linfoma não-Hodgkin que tem crescimento rápido e agressivo, chegando a duplicar de tamanho em 24 horas. Mais comum entre crianças, o subtipo foi detectado em 1958, com maior presença na África. Países emergentes, por sinal, são os locais que contam com maior incidência do linfoma de Hodgkin. A pediatra esclarece que a doença ataca maioritariamente crianças e adolescentes, de cinco a quinze anos, do sexo masculino.

 

Tratamentos

 

Apesar da gravidade da doença, os hematologistas apresentam boas novidades a quem sofre com linfoma. Segundo o especialista Bendlin, a expectativa de vida dos pacientes é de mais de dez anos e os novos tratamentos têm entusiasmado profissionais da área. “Novos fármacos estão a surgir, melhorando a eficácia da quimioterapia”, afirma o médico. Além disso, apesar de alguns tipos da doença serem incuráveis, outros têm até 95% de probabilidades de recuperação. De modo geral, o tratamento é bem tolerado, diz o médico.

 

No caso das crianças, Edna Carboni afirma que o tratamento com elas é mais fácil do que nos adultos. Além disso, os avanços e as descobertas de novos meios de acção estão a mudar a maneira de tratar os linfomas. A utilização de anticorpos manipulados é apenas uma destas novas maneiras, que se une à quimioterapia e à radioterapia no combate ao cancro.

 

Apesar dos avanços, a doença ainda deve ser levada à sério e com cuidado. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) do Brasil indicam que o número de casos de linfoma não-Hodgkin duplicou nos últimos 25 anos, especialmente entre a população idosa. Deste modo, a evolução dos tratamentos, não diminui o perigo de uma fatalidade causada pela doença.

2010-07-30 | 10:36