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Mais de 43% dos médicos não indicam pacientes com cancro para ensaios

 

Mais de 43% dos médicos não indicaram pacientes com cancro para ensaios clínicos durante o ano passado, nos EUA. É o que indica um estudo realizado por cientistas do Instituto Nacional do Cancro dos EUA, noticia o portal de notícias Isaúde.


A descoberta acrescenta evidências mais convincentes de que a falta de participação dos médicos é um factor chave para a baixa participação de doentes com cancro em ensaios.


"Os ensaios clínicos têm sido reconhecidos como a forma definitiva de identificar tratamentos eficazes e compreender os riscos e benefícios desses tratamentos. Infelizmente, apenas uma pequena fracção dos pacientes participam nesses ensaios e existe pouca informação sobre o perfil dos médicos que recrutam doentes para os testes", afirmaram os investigadores.


Carrie Klabunde e a sua equipa realizaram uma avaliação de base populacional de 1533 médicos especializados que recrutam e encaminham pacientes para ensaios.


Os 1533 especialistas que participaram no Cancer Care Outcomes Research Consortium incluíram médicos oncologistas, cirurgiões e radioterapeutas que tinham pacientes com cancro colo-rectal ou cancro do pulmão.


56,7% dos profissionais


Os resultados revelaram que apenas 56,7% dos profissionais médicos indicaram ou inscreveram pelo menos um paciente num ensaio clínico nos últimos 12 meses.


Mais especificamente, os cientistas descobriram que, durante os últimos 12 meses 87,8% dos médicos oncologistas, 66,1% dos radioterapeutas e 35% dos cirurgiões enviaram ou matricularam pelo menos um doente num ensaio clínico.


Os profissionais de saúde, que estão envolvidos no ensino ou no trabalho na prática hospitalar, são muito mais prováveis de inscreverem ou consultarem os seus doentes com cancro em relação a um ensaio clínico.


Aqueles que estão ligados a um programa de Oncologia clínica ou a um hospital de cancro nacional também estão mais propensos a submeter os seus pacientes.


Klabunde acrescentou que o estudo utilizou dados auto-relatados.


Os especialistas dizem que são necessárias estratégias para melhorar significativamente as taxas de participação de pacientes com cancro.


Segundo os investigadores, barreiras como a falta de compensação devem ser abordadas, uma vez que o manejo de pacientes envolvidos no estudo clínico envolve mais trabalho para os médicos.


"Não é de esperar que todos os médicos indiquem os pacientes para ensaios clínicos, mas todos devem entender o valor dos testes e saber como encaminhar os doentes. Se queremos investigação para informar a prática, precisamos de uma força de trabalho dos médicos, que valorizem a pesquisa e entendam como incorporar os resultados da investigação na sua prática", acrescentaram os autores.

 

2011-02-18 | 11:48