

Menor quantidade de medicamento eleva eficácia da quimioterapia

Investigadores da University of Georgia, nos EUA, descobriram que quantidades menores e menos tóxicas de um medicamento na quimioterapia é capaz de retardar o crescimento de tumores de forma significativa, além de reduzir efeitos secundários, avança o portal ISaúde. Os resultados surgiram a partir de estudos com ratos com cancro da próstata. As cobaias que foram tratadas com o procedimento comum contra o cancro sofreram efeitos secundários mais severos, que levam à perda óssea e de cabelo.
Apesar de a quimioterapia aplicada repetidamente em porções pequenas não ser algo novo, os autores do estudo dizem que a dosagem parece alterar a actividade celular do fármaco denominado topotecano.
A descoberta oferece novas formas promissoras de se utilizar o topotecano – um fármaco amplamente utilizado e já aprovado pela FDA (entidade que regula os medicamentos nos EUA) para o cancro cervical e para outros cancros - para combater tumores da próstata de crescimento lento.
"Nestas doses menores, não é suficiente para o topotecano seguir uma via clássica de morte celular. A nossa investigação sugere que a dosagem metronómica alterou o comportamento do topotecano" , disse o professor do curso de farmácia Robert D. Arnold.
Os cientistas sabiam que o topotecano, administrado aos pacientes em doses altas como se faz tradicionalmente, mata as células do cancro ao desactivar as enzimas que são necessárias para o crescimento celular, explicou Arnold. Em contraste, a dose metronómica de topotecano previne que novos vasos sanguíneos, que são necessários para o crescimento, se formem no tumor.
Arnold e colegas descobriram que o topotecano não mudava a quantidade de vasos sanguíneos formados, mas diminuía significativamente o tamanho do tumor e alterava genes essenciais para controlar o crescimento celular.
O professor do curso de farmácia Brian S. Cummings comparou o processo do topotecano de matar as células do tumor com uma tarefa cotidiana: "Vamos pensar que estamos a ir ao mercado e que podemos ir à pé, de bicicleta ou de carro. São mecanismos de acção diferentes, mas chegamos ao mesmo lugar".
O cientista acrescentou que os investigadores estão a tentar determinar qual via ou escolha de transporte que as células seleccionam depois de diferentes quantidades de exposição ao topotecano. Os resultados sugerem que quando o topotecano é dado frequentemente e em doses baixas pode alterar o tipo de genes activados no tumor. Estas mudanças podem estar relacionadas à estrutura ou arquitectura de uma alteração na sequência genética. Tais alterações poderiam ser consideradas epigenéticas, mas mais pesquisas são necessárias, segundo Arnold.
O estudo sugere que a dosagem metronómica do topotecano pode reduzir o crescimento do cancro da próstata em concentrações de fármaco que são bem menores do que as doses que podem ser tóxicas para as células saudáveis do corpo.
Por causa das opções limitadas de tratamento para o cancro da próstata em fase avançada e do uso clínico do topotecano, novos ensaios clínicos podem ser realizados no futuro. A mesma equipa de investigação está agora a estudar os efeitos de dosagem do topotecano nos modelos de cancro da mama.






