Cientistas desenvolvem interruptor capaz de controlar agressividade do cancro

 

Uma nova plataforma de imagem desenvolvida por médicos do Reino Unido revela o processo que torna cancros agressivos e levam os tumores a disseminar-se pelo corpo, avança o portal ISaúde.

O projecto conduzido no Lawson Health Research Institute por Ann Chambers e John Lewis fornece revelações sobre o momento em que as células cancerígenas se tornam mortais.

Determinadas proteínas, como a E-caderina, são importantes para a manutenção da estrutura do tecido normal. Quando os tumores se tornam mais agressivos, muitas vezes eles perdem E-caderina, resultando em mudanças dramáticas na sua estrutura, no seu funcionamento e na sua capacidade de se espalhar. Mas quando as células cancerígenas são forçadas a expressar a E-caderina, a pesquisa sugere que elas se comportam de forma menos agressiva e voltam ao normal. Infelizmente, as limitações na capacidade de monitorizar directamente estes efeitos têm tornado difícil para cientistas a avaliação do impacto total.

Num estudo publicado na passada sexta-feira na revista PLoS ONE, Chambers e Lewis revelaram uma nova plataforma de imagem que pode modular e monitorizar como os efeitos de uma determinada proteína podem afectar todo o tumor em tempo real. A abordagem usa um modelo de embrião de galinha sem casca implantado com células cancerígenas humanas. "Esta configuração acessível permite-nos introduzir a E-caderina directamente no ambiente do tumor, onde ela tem efeitos imediatos e dramáticos. Usando imagens de lapso de tempo 3D, o impacto desta proteína pode ser visualizado e os efeitos subsequentes sobre o funcionamento das células cancerígenas, estrutura e agressividade podem ser monitorizados em tempo real por até 48 horas", disse Hon Leong, o principal autor deste estudo.

Chambers e Lewis esperam que esta abordagem permita aos cientistas determinar como as proteínas, como a E-caderina, podem exercer suas propriedades de supressão do tumor sobre a propagação mortal do cancro. Através de pesquisas adicionais, eles acreditam que a sua abordagem poderá fornecer informações valiosas para ajudar a moderar cancros agressivos e melhorar os resultados do paciente.

"As perspectivas oferecidas por esta tecnologia ajudarão os cientistas a rever outras proteínas consideradas como importantes na metástase, mas cujos modos de acção não são compreendidos, e observar como elas realmente funcionam em tempo real," disse Chambers.

"Embora a tecnologia genómica tenha revelado muitas novas proteínas que poderiam forçar os cancros a mudarem de volta para o seu estado menos agressivo, estes novos objectivos ainda não foram validados em modelos pré-clínicos como ratos, porque é difícil determinar os efeitos moleculares em cada célula cancerígena individual. Esta nova plataforma permite-nos produzir provas fotográficas convincentes de como estas proteínas anti-cancro trabalham e a conhecer os seus mecanismos", disse Lewis.

2012-01-24 | 10:33