

Cientistas evidenciam como sistema imune se prepara para combater infecções

Investigadores da University of California, San Francisco (UCSF), nos EUA, relatam a descoberta do processo de preparação de uma célula-chave do sistema imunológico para combater infecções. A descoberta, segundo eles, oferece revelações sobre os processos que ocorrem dentro dessas células e que podem levar a estratégias para o tratamento de condições que vão desde a lesão da medula espinhal ao cancro, avança o portal ISaúde.
A pesquisa enfocou os neutrófilos, o tipo mais comum de células brancas do sangue. Como outras células no sistema imunológico, seu trabalho é procurar e destruir bactérias, vírus e demais invasores que entram na corrente sanguínea ou nos órgãos.
Os cientistas sabem que, para fazer isso, cada célula muda a sua forma amorfa para formar uma única frente, ou ponta, que se aproxima do invasor e que leva a célula a atacar.
Acredita-se que esta ponta envie algum tipo de sinal para o resto da célula para evitar a formação de frentes secundárias. Até agora, os cientistas pensavam que o sinal era transmitido pelo movimento de moléculas de uma parte da célula para outra.
Agora, no entanto, uma equipa de investigadores da UCSF mostrou que os neutrófilos desencadeiam esta inibição de longo alcance através da transmissão de força mecânica.
O processo baseia-se na montagem de uma proteína conhecida como actina, que se acumula na parte da célula que empurra na direcção do seu alvo bacteriano.
No seu estudo, publicado no dia 20 de Janeiro na revista Cell, a equipa mostrou que a protrusão da célula estende a sua membrana, fazendo com que ela passe de frouxa para apertada, como uma corda num jogo de cabo-de-guerra. A tensão é transmitida ao longo da membrana da célula, movendo-se da frente para trás. É esta tensão que restringe a actividade para a ponta.
"Esta capacidade crítica das células para restringir a actividade a regiões específicas de sua superfície é essencial para muitos processos, que vão desde a regulação da divisão celular à formação de organismos multicelulares e as ligações do sistema nervoso", disse o autor Orion Weiner, professor assistente em residência no Cardiovascular Research Institute da UCSF.
A descoberta pode ajudar os investigadores a identificar novas terapias que podem promover ou bloquear o processo de mobilização celular como forma de intervir nestas condições, disse ele. Após uma lesão medular, por exemplo, os neurónios não atravessam facilmente o local da lesão, prejudicando a função motora ou levando à paralisia. Deve haver drogas que podem ajudar os neurónios a formarem uma ponta e permitir-lhes saltar o fosso, disse Weiner. Outras drogas possam impedir que as células migrem de forma inadequada como fazem no cancro.
Para chegar à sua conclusão, Weiner e os seus colegas conduziram uma série de experiências em que aplicaram ou removeram a tensão dos neutrófilos e acompanharam o acúmulo de actina e os movimentos da célula. Andrew Houk, um estudante de pós-graduação no laboratório de Weiner, conduziu muitas das experiências. Eles mostraram que a tensão é necessária e suficiente para limitar a propagação de uma frente existente e impedir que a célula forme uma segunda frente.
"O nosso estudo estabelece a tensão como um regulador central deste processo de formação da ponta. O desafio agora é descobrir quais moléculas respondem a esta tensão e como elas o fazem", disse Weiner.
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