40% dos pacientes diagnosticados com cancro do pulmão não largam o vício

 

Cerca de 40% dos pacientes com cancro do pulmão continuam a fumar após serem diagnosticados com a doença. É o que aponta estudo conduzido na Harvard Medical School, nos EUA, que revela ainda que o tabagismo é um hábito mantido entre pessoas (14%) diagnosticadas com cancro colo-rectal, avança o portal ISaúde.

A pesquisa foi liderada por Elyse R. Park que observou quantos pacientes param de fumar quando recebem um diagnóstico de cancro, e quais fumadores eram mais propensos a abandonar o vício.

Os investigadores determinaram as taxas de tabagismo no momento do diagnóstico e cinco meses após o diagnóstico em 5.338 pacientes com cancro colo-rectal ou cancro do pulmão. No momento do diagnóstico, 39% dos pacientes com cancro do pulmão e 14% dos pacientes com cancro colo-rectal estavam a fumar, cinco meses depois, 14% dos pacientes com cancro do pulmão e 9% dos pacientes com cancro colo-rectal ainda estavam a fumar. Estes resultados indicam que uma minoria substancial de pacientes com cancro continuam a fumar após o diagnóstico. Além disso, embora os pacientes de cancro do pulmão tenham maiores taxas de tabagismo no diagnóstico e após o diagnóstico, os pacientes com cancro colo-rectal são menos propensos a parar de fumar após o diagnóstico.

Factores e características que previram o fumo continuado variavam de acordo com o tipo de cancro. Os pacientes com cancro do pulmão, que continuaram a fumar, tendiam a ter um seguro de saúde público, ter um índice de massa corporal menor, baixo apoio emocional, tendiam a não ter recebido quimioterapia, não ter feito cirurgia, tinham doença cardíaca prévia, e fumavam um elevado número de cigarros por dia, em algum momento durante suas vidas.

Os pacientes com cancro colo-rectal, que continuaram a fumar tendiam a ser do sexo masculino, ter concluído menor escolaridade, não terem seguro, não ter feito a cirurgia, e já fumaram em algum momento de suas vidas um elevado número de cigarros por dia.

"Essas descobertas podem ajudar os médicos a identificar os pacientes de cancro que estão em risco para o tabagismo e orientar o desenvolvimento do tratamento de aconselhamento anti-tabagismo para os pacientes com cancro", conclui Park.

2012-01-26 | 12:17