

Farmacêutica de Coimbra quer desenvolver novo medicamento contra o cancro

A Bluepharma é um exemplo de empreendedorismo, inovação e ambição. Nasceu em Coimbra, da vontade de quatro profissionais da área da saúde. Aposta na investigação, exporta 70% do que produz e quer chegar mais além. O sonho é criar um novo medicamento contra o cancro, escreve o Diário de Notícias, que conta a história da companhia.
Paulo Barradas Rebelo tinha um avô médico e outro farmacêutico e vivia indeciso entre qual das profissões seguir. Até que, aos 14 anos, teve um acidente de moto e entrou "pela primeira vez" num hospital. "Aí decidi que ia para Farmácia", conta ao DN. E essa decisão marcou-lhe a vida. Tornou-se farmacêutico. Foi numa farmácia - a Estádio, em Coimbra - que se reuniu com Maria Isolina Mesquita, Miguel Silvestre e Sérgio Simões, para formar a Bluepharma. E, hoje, aos 46 anos, é o CEO (presidente executivo) de uma empresa que não tem parado de evoluir.
A farmacêutica conimbricense nasceu em 2001, quando os quatro sócios não se conformaram com o encerramento da delegação da Bayer em Coimbra e decidiram aproveitar as instalações para lançar o seu projecto pessoal. "Esta era uma base tecnológica, tínhamos a ciência próxima de nós (na Universidade de Coimbra) e tínhamos as pessoas. Por isso, com esse enquadramento, tínhamos mesmo de avançar", recorda Paulo Barradas Rebelo.
Assim fizeram. E rapidamente criaram uma empresa "de referência em três vectores: produção de medicamentos para outras companhias, produção e comercialização de medicamentos genéricos próprios e prestação de serviços na área de investigação, desenvolvimento e registo de novos medicamentos", descreve o CEO ao DN.
Os genéricos foram o porta-estandarte da evolução do projecto, na década que se seguiu. "Há 10 anos, conseguimos antever a sua importância no mercado. A Bluepharma, tal como as outras, é uma fábrica multimarca: produz o mesmo comprimido e embala-o em caixinhas diferentes, criando genéricos para a sua própria marca e para outras", explica ao DN Paulo Barradas Rebelo.
É esse trabalho que dá "notoriedade" à empresa e lhe permite crescer no estrangeiro. "Praticamente todos os laboratórios que operam na área dos medicamentos genéricos na Europa são nossos clientes", revela o dirigente (quem também tem alguns produtos de marca própria espalhados pelo Velho Continente). Hoje, a Bluepharma está presente em 22 países, mas já prepara relações comerciais com outros destinos, como China, Rússia, México, EUA, Austrália ou Vietname. "Para comercializar um medicamento, temos de passar pelo crivo das autoridades. Isso é algo que pode levar dois ou três anos. Mas acho que já podemos dizer que chegámos aos quatro cantos do mundo", aponta Paulo Barradas Rebelo.
Farmacêutica de Coimbra quer fazer história pelo seu trabalho na investigação
De resto, a empresa já nasceu "virada para fora, com um nome anglo-saxónico e de alcance global". E o presidente quer que a Bluepharma seja conhecida como uma marca "multinacional e inovadora". Para essa notoriedade, muito contribuirá a investigação. No último Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional, a empresa de Coimbra surgia como a terceiro farmacêutica que mais investe em investigação e desenvolvimento (cerca de 10% da sua facturação anual).
"Através dos genéricos, queremos chegar aos medicamentos inovadores", diz Paulo Barradas Rebelo. Por isso, além da investigação intramuros, a Bluepharma trabalha em parceria com três spin-offs universitárias - a lisboeta Technophage e as conimbricenses Luzitin e Treat U - em busca de um sonho: "Temos a ambição de poder contribuir para a criação de um novo medicamento, nomeadamente na área do cancro. É um objectivo que seguimos." E é isso que faz mover a farmacêutica coimbrã.






