

Descoberta de nova molécula pode revolucionar tratamento contra o cancro

Uma equipa de cientistas da Universidade de Leicester, no Reino Unido, descobriu que uma molécula presente no núcleo de células humanas é responsável por modular a actividade da enzima HDAC3, importante para a regulação dos genes. De acordo com o estudo, a descoberta que pode revolucionar o tratamento de cancro e outras doenças metabólicas, avança o portal ISaúde.
A pesquisa foi destaque em artigo publicado no início de Janeiro na versão online da revista Nature, publicação de maior prestígio científico do mundo. Segundo Guilherme Santos, do departamento de Farmácia da UnB e único brasileiro na equipa de cientistas, esta descoberta é um grande avanço na compreensão do metabolismo celular e abre novas perspectivas para o tratamento da doença. "Actualmente os medicamentos existentes no mercado não são muito específicos e acabam por influenciar a actividade de outras enzimas, gerando efeitos secundários", explica.
Isso acontece porque as drogas utilizadas actualmente actuam no sítio catalítico da enzima, espécie de cavidade na superfície da enzima onde ocorrem as reacções enzimáticas. Essa cavidade é muito parecida com as encontradas em outras enzimas HDACs. "Agora temos um alvo mais específico para a produção de novos medicamentos". Uma das hipóteses dos investigadores é que essas drogas poderão fazer com que uma célula cancerígena se comporte de uma forma similar a uma célula normal. "Nesse caso poderíamos fazer com que elas se multiplicassem menos", exemplifica.
Raio X
A cristalografia é uma das principais técnicas utilizadas para os estudos estruturais. "Cristalizámos a proteína de interesse para facilitar o estudo de sua estrutura", explica Guilherme. Em seguida, a molécula passa por um feixe de raios X num síncroton, um acelerador de partículas que serve para determinar a posição exacta dos átomos dentro das moléculas. O uso da técnica na enzima HDAC3 revelou que a molécula IP4 funciona como uma "supercola intermolecular" entre a HDAC3 e a proteína SMRT - que regula a actividade da HDAC3 - inibindo ou activando a enzima.
A HDAC3 é responsável pela produção de novas proteínas por meio da regulação da expressão génica, que converte as informações do código genético em proteínas essenciais para a célula. "Ela é importante porque actua no fecho da cromatina", diz Guilherme. A cromatina é a estrutura molecular onde o ADN fica compactado e para que a produção de novas proteínas aconteça, ela precisa estar aberta. Actuar na IP4 é uma forma de controlar a actividade da HDAC3.






