Estudo indica que infecções de HPV oral são mais comuns em homens

 

Infecções na boca e na garganta de uma doença transmitida principalmente pelo sexo, conhecida como papilomavírus humano (HPV), que pode levar ao cancro, são mais comuns entre os homens do que entre as mulheres, segundo um estudo americano divulgado nesta quinta-feira, avança a AFP.

Cerca de 7% da população dos EUA com idade entre 14 e 69 anos tem HPV oral, informou a pesquisa publicada no Journal of the American Medical Association, com uma taxa de incidência de 10.1% entre os homens e 3.6% entre as mulheres.

As descobertas esclareceram ainda mais uma crescente epidemia de cancro nas regiões da cabeça e do pescoço, ligada ao HPV, que devem superar os casos de cancro do colo de útero em 2020, e pode justificar os testes clínicos de uma vacina de HPV contra lesões orais, disseram os autores do estudo.

Actualmente, a vacina de HPV é recomendada para meninos e meninas logo cedo, nas idades de 9 a 10 anos para evitar futuros cancros do colo do útero e anal.

O estudo incluiu 5,579 pessoas que participaram da Pesquisa Nacional de Avaliação da Saúde e Nutrição (NHANES, na sigla em inglês) de 2009-2010, e concordaram com um teste de enxágue bucal de 30 segundos num centro de exames móvel.

O estudo descobriu que o HPV oral é mais frequente entre pessoas idosas, em parceiros sexuais recentes e entre fumantes, pessoas que bebem muito álcool e entre utilizadores, actuais ou antigos, de marijuana.

As maiores taxas de HPV oral entre os homens são vistas com mais frequência nas idades de 60 a 64 anos, com 11,4% de casos nessa faixa etária. O segundo nível mais alto foi encontrado entre homens de 30 a 34 anos.

De acordo com a especialista Maura Gillison, do Ohio State University Comprehensive Cancer Center, os dados sugerem que a provável causa das infecções de HPV oral está ligada ao sexo.

"Analisados juntos, esses dados indicam que a transmissão pelo contacto casual, não-sexual, é pouco comum", escreveu ela, pedindo mais estudos nesta área para estabelecer o que os investigadores chamam de "história natural" da doença.

"Apesar da infecção de HPV oral ser a causa do câncer que está crescendo em incidência nos EUA, pouco se sabe a respeito da epidemiologia da infecção", indicou Gillison.

"Estudos de história natural de infecção de HPV oral são, portanto, necessários para entender os efeitos da idade, do sexo, e os fatores de risco modificáveis (por exemplo, fumo e comportamento sexual) quanto à incidência e duração da infecção de HPV oral."

Cancros orais "cresceram significativamente nas últimas três décadas em vários países e o HPV tem sido directamente relacionado como causa subjacente," de acordo com informações do artigo. Gillison, que estuda o HPV e o cancro há 15 anos, disse numa conferência científica realizada nos EUA no ano passado que quando pessoas que têm HPV oral são comparadas àquelas que não têm, "o único grande factor é o número de parceiros com quem as elas fizeram sexo oral".

Pessoas com infecções de HPV oral têm 50 vezes mais hipóteses de ter cancro oral do que as pessoas que não têm HPV.

Os cientistas observaram um aumento de 225% nos casos de cancro oral nos Estados EUA de 1974 a 2007, principalmente entre homens brancos.

O HPV está ligado a quase 13 mil casos de cancro do colo do útero por ano em mulheres americanas, 4.300 dos quais são fatais. Os investigadores esperam que o número de casos de cancro oral vai superar o número de casos de cancro do colo do útero nos próximos oito anos.

O estudo foi financiado em parte pela gigante farmacêutica Merck, que produz a vacina contra HPV. A Gardasil®, da Merck, foi aprovada para meninas e mulheres de idades entre 9 e 26 anos em Junho de 2006 e para homens na mesma faixa etária em Outubro de 2009.

2012-01-27 | 12:35