

Múmia confirma que cancro da próstata tem origem genética

Uma equipa internacional de pesquisa em Lisboa, Portugal, diagnosticou o mais antigo caso de cancro da próstata no Egipto antigo e o segundo caso mais velho do mundo. Usando scanners de tomografia computadorizada (TC), os investigadores identificaram o cancro numa múmia conhecida como M1, avança o portal ISaúde.
"O cancro é um tema quente nos dias de hoje; os especialistas estão constantemente tentando sondá-lo na esperança de responder a pergunta 'quando e como é que a doença realmente evolui'. Descobertas como estas trazem-nos um passo mais perto de encontrar a causa do cancro, e, em última análise, a cura para uma doença que tem cercado a humanidade por tanto tempo", disse Salima Ikram, membro da equipa de pesquisa e professor de Egiptologia na American University in Cairo (AUC).
O estudo, publicado na International Jornal of Paleopathology usou tomografias computadorizadas com resolução de pixel de 0,33 milímetros em três múmias egípcias do acervo do Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa. As imagens revelaram várias lesões ósseas pequenas, densas e redondas localizadas principalmente na bacia da M1, na coluna e nos membros proximais, um indicativo de cancro da próstata metastático.
Até recentemente, os investigadores acreditavam que a ocorrência generalizada de agentes cancerígenos nos alimentos e no ambiente foram as principais causas de cancro na era industrial moderna. No entanto, segundo Ikram, "Estamos a começar a ver que as causas do cancro parecem ser menos ambientais e mais genéticas. Condições de vida nos tempos antigos eram muito diferentes, não havia poluentes ou alimentos geneticamente modificados, o que nos leva a crer que a doença não é necessariamente apenas ligada a factores industriais".
Ikram sugeriu que há mais mortes atribuíveis ao cancro hoje simplesmente porque as pessoas estão vivendo mais. "A expectativa de vida nas antigas sociedades egípcias variava de 30 a 40 anos, o que significa que os que sofriam com a doença provavelmente morriam de outras razões que não a sua progressão", ela argumentou.
A primeira detecção do cancro da próstata do mundo veio do esqueleto de 2700 anos de um rei cita na Rússia, que levou os cientistas a suspeitar que o cancro era bastante prevalente no passado, apesar da escassez de casos registados.






