Proteína recém-descoberta é capaz de impedir progressão do cancro

 

Investigadores da Brown University, nos EUA, descobriram uma proteína que desempenha um papel biomecânico importante mantendo os tecidos ligados e impedindo a progressão do cancro, avança o portal ISaúde.

Os resultados, publicados no Journal of Biological Chemistry, mostram que a proteína Pannexin1, conhecida por ter propriedades supressoras de tumor, é essencial para manter a integridade mecânica do tecido normal. Quando uma pessoa desenvolve cancro, ela perda a proteína e os tecidos perdem essa integridade.

Para realizar o trabalho, os investigadores liderados por Brian Bao utilizaram uma Placa de Petri em 3D que permite aos investigadores acompanhar de perto como as células interagem umas com as outras, sem que os cientistas tenham de se preocupar com as interacções adicionais com andaimes externos.

Trabalhando com células do glioma de ratos que não expressam Pannexin1, os investigadores modificaram algumas células para expressar a proteína e deixaram outras inalteradas.

Depois de colocar as diferentes células na placa de Petri 3D e visualizar a interacção entre elas por 24 horas, eles notaram que as células com Pannexin1 foram capazes de formar grandes tecidos multicelulares muito mais rápido e com mais força do que as células cancerígenas inalteradas.

Para confirmar que era realmente Pannexin1 que causava estas mudanças, Bao e os seus colegas trataram as suas amostras com as drogas Probenecid e Carbenoxolone, que sãos inibidores de Pannexin1. Eles observaram que as drogas impediram a aceleração provocada pela proteína.

Em seguida, a equipa conseguiu determinar como Pannexin1 foi capaz de levar essas células a aglomerarem-se mais rápido e com mais força. Eles descobriram que Pannexin1 desencadeia uma reacção envolvendo a molécula ATP transportadora de energia e os seus receptores específicos.

Quando todas as experiências foram realizadas, Bao e os seus colegas descobriram que, logo que as células tocaram umas nas outras, canais Pannexin1 foram estimulados a abrir e liberar ATP. A ATP, em seguida, ligou-se aos receptores na superfície celular, liberando ondas de cálcio intracelular que remodelaram a rede de uma proteína estrutural chamada actina. Esta remodelação aumenta as forças entre as células, levando-as a unirem-se com mais força.

"Descobrir essa sequência e o papel de Pannexin1 nela é talvez a maior contribuição do estudo para pesquisa do cancro", observa Bao.

Tendo obtido esta compreensão do papel de Pannexin1 na mecânica de tumores, Bao está agora empenhado em descobrir se a Pannexin1 afecta a habilidade do tumor de se espalhar.

2012-02-01 | 13:59