

Mulheres negras fazem menos exames de cancro da mama e colo do útero

Segundo um artigo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública da Fiocruz, mulheres negras de todas as classes económicas fazem menos exames para detecção do cancro da mama e colo do útero. O estudo é de investigadores das universidades federais do Rio Grande do Sul e de Pelotas, avança o portal ISaúde.
Para a pesquisa, foram entrevistadas 2.030 mulheres, de 20 a 60 anos, moradoras das cidades de Pelotas e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, no Brasil. "A probabilidade de as mulheres não realizarem os testes citopatológicos e da mama foi significativamente maior nas negras", destacam os estudiosos. “Uma análise estratificada da realização de exames de cancro da mama, independente de idade e de escolaridade, apontou que as mulheres negras fazem menos exames, mesmo as de classes económicas A, B ou C".
Das mulheres consultadas no estudo, 16,1% eram negras e 83,9% eram brancas. Com relação a testes para verificar a ocorrência de cancro da mama no último ano, 53,5% do total de mulheres afirmaram terem efectuado o exame. No entanto, apenas 43,4% das mulheres negras afirmaram terem realizado o teste, enquanto 55,3% das mulheres brancas o fizeram.
Além disso, os resultados do estudo ainda indicaram que a probabilidade de mulheres negras não terem realizado exames para detecção de cancro do colo do útero foi duas vezes maior que em mulheres brancas. As negras com menos de 40 anos também relataram fazer menos exames ou realizá-los mais tarde, reafirmando a noção de que mulheres mais velhas têm mais dificuldades de marcar consultas ginecológicas.
"Apesar de o debate sobre raça/cor ter sido intenso nos últimos dez anos, apenas recentemente as abordagens sobre o tema tem sido aplicadas em estudos e pesquisas na área da saúde", afirmam os investigadores. "Os resultados desse estudo chamam a atenção para a necessidade de implementação de políticas focadas em desigualdades raciais e socioeconómicas e na promoção da melhora ao acesso a serviço de saúde, com qualidade e igualdade, para os segmentos mais vulneráveis da população".






