Caso do IPO Porto chega à Assembleia da República

 

O Partido Comunista (PCP) pediu formalmente, na quarta-feira, explicações ao Governo sobre o problema das listas de espera para radioterapia no Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO Porto), avança a revista Sábado, que foi quem denunciou o problema, há um mês.

Num requerimento de 25 de Janeiro, assinado por Paula Santos, Honório Novo e Jorge Machado, os comunistas exigem resposta às questões suscitadas pelo artigo divulgado pela revista.

Em primeiro lugar, os tempos de espera: “Quais os tempos (…) e dimensão das listas de espera para o IPO Porto?”. Em segundo lugar, as razões: “O que justifica os elevados tempos de espera para radioterapia e como justifica o Governo que o IPO Porto não siga as orientações do Manual de Boas Práticas de Radioterapia, definidas pelo Ministério da Saúde?”. Por último, a alegada censura: “O Governo confirma que o IPO Porto demitiu o coordenador da clínica pulmonar (…) por ter assumido publicamente que há atrasos para o tratamento de radioterapia?”.

O afastamento de António Araújo tem provocado enorme polémica. Em declarações à Sábado, Vítor Veloso, presidente do núcleo regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), afirma: “Estranho que um expert nacional em pulmão tenha sido transferido para um serviço que nada tem a ver com doenças pulmonares – o de doenças digestivas. Como representante dos pacientes, acho evidente que os doentes do pulmão não vão ser tão bem tratados – e que os digestivos também não”.

Desde que a Sábado publicou um artigo sobre os atrasos, nada mudou no IPO Porto, avança a revista. Vários médicos de hospitais do Norte voltaram a confirmar à Sábado que os tempos de espera continuam, em muitos casos, a duplicar os recomendados, pondo em risco a vida dos doentes.

O Ministério da Saúde, contactado pela revista, não quis comentar.

2012-02-03 | 10:45