

Cientistas relatam descoberta de novo subtipo genético do cancro do pulmão

Num estudo publicado no Journal of Clinical Oncology, investigadores dos EUA relataram ter encontrado um novo subtipo genético do cancro do pulmão, avança o portal ISaúde.
Os resultados mostram que tumores impulsionados por rearranjos no gene ROS1 representam de 1% a 2% dos casos de cancro do pulmão de não-pequenas células (NSCLC), a principal causa de morte por cancro nos EUA.
A pesquisa revela ainda que os tumores associados a ROS1 podem ser tratados com crizotinib, que também inibe o crescimento de tumores impulsionados por um oncogene chamado ALK.
"ROS1 codifica uma proteína que é importante para o crescimento e a sobrevivência celular, e a desregulamentação desse gene através de rearranjo cromossómico impulsiona o crescimento dos tumores. Esta descoberta é importante porque temos medicamentos que inibem ROS1 e podem levar a uma resposta clínica dramática entre os doentes", afirma a co-autora da pesquisa, Alice Shaw, do Massachusetts General Hospital (MGH) Cancer Center.
O novo trabalho adiciona ROS1 à lista de genes conhecidos por impulsionar o crescimento de NSCLC quando alterados, uma lista que inclui vários outros genes.
Originalmente identificado em tumores cerebrais, ROS1 já havia sido identificado num paciente com NSCLC e uma linha de células de NSCLC. O estudo actual foi projectado para determinar a frequência de ROS1 no cancro do pulmão e para definir as características de pacientes com tumores impulsionados pelo gene.
Os investigadores rastrearam amostras de tumor de mais de 1 mil pacientes com NSCLC nos EUA e na China. ROS1 foi identificado em 18 amostras de tumores, com uma prevalência de 1,7%, ALK foi identificado em 31 amostras, sem amostras com alterações em ambos os genes.
Pacientes com tumores positivos para ROS1 tendiam a ser mais jovens, nunca terem fumado e terem um tipo de cancro do pulmão chamado adenocarcinoma, características muito semelhantes aos pacientes ALK-positivos.
A equipa descobriu também que a droga crizotinib, eficaz contra tumores ALK-positivos, também suprimiu o crescimento de uma linhagem de células ROS1-positiva.
Os resultados mostraram que o medicamento agiu dentro de poucos dias melhorando a condição de saúde geral e eliminando os tumores dos pulmões do paciente. Nove meses depois do tratamento com crizotinib, o paciente ainda continua a mostrar melhorias significativas.






