Nova tecnologia mostra moléculas e células em acção no seu ambiente nativo

 

Investigadores do na Virginia Tech Carilion Research Institute, nos EUA, relatam o desenvolvimento de uma nova tecnologia de imagem que permite observar o comportamento celular molecular dentro do seu ambiente nativo, líquido, avança o portal ISaúde.

A plataforma criada sob a liderança da professora assistente da instituição Deborah Kelly rompe as limitações técnicas que dificultavam o estudo de células e moléculas. Até agora, os biólogos precisavam de imaginar os processos dinâmicos através de fotografias estáticas.

Kelly e os seus colegas desenvolveram uma forma de isolar amostras biológicas num ambiente fluido e líquido ao mesmo tempo enquanto colocavam os espécimes no sistema de alto vácuo de um microscópio electrónico de transmissão (TEM). O suporte do fluxo de líquido TEM, desenvolvido pela Protochips Inc., de Raleigh, NC, acomoda amostras biológicas entre dois microchips semicondutores que são fortemente selados. Estes chips formam um dispositivo microfluídico menor que uma bala Tic Tac. Este dispositivo, posicionado na ponta de um porta-espécime EM, permite o fluxo de líquido dentro e fora do suporte. Quando esses chips são revestidos com um biofilme de afinidade especial que Kelly desenvolveu, eles têm a capacidade de capturar células e moléculas de forma rápida e com alta especificidade. Este sistema permite aos investigadores observar - com uma resolução sem precedentes - os processos biológicos no momento em que ocorrem, como a interacção de uma molécula com um receptor numa célula que desencadeia o desenvolvimento normal ou o cancro.

"Com esta nova tecnologia, podemos capturar e visualizar a arquitectura nativa das células e os receptores proteína de sua superfície enquanto aprendemos sobre suas interacções dinâmicas, como o que acontece quando as células interagem com patógenos ou medicamentos. Agora podemos isolar as células cancerígenas, por exemplo, e ver os eventos iniciais da quimioterapia em acção. Mas a vida se move. É melhor se os processos biológicos não tiverem que ser pausados ou congelados, a fim de serem estudados, mas podem ser vistos em ambientes líquidos e dinâmicos que sustentam a vida", diz Kelly.

Kelly já tinha trabalhado com colegas da Harvard Medical School para desenvolver uma maneira de capturar as máquinas de proteína em um ambiente congelado.

O dispositivo de captura por afinidade de Kelly, em combinação com TEM de alta resolução, ajuda a preencher a lacuna entre imagem celular e molecular, permitindo que os investigadores consigam uma resolução espacial muito alta, de dois nanómetros. "Este dispositivo permite-nos ver novos recursos na superfície das células vivas de cancro, fornecendo novos alvos para a terapia medicamentosa. Com esta resolução, os cientistas podem até mesmo conseguir visualizar os processos da doença enquanto ela se desenrola", conclui Kelly.

2012-02-03 | 11:35