

Quais as terapêuticas de baixa intensidade nas síndromes mielodisplásicas?
Ultimamente tem sido feito muito trabalho de investigação nesta área e têm surgido novos fármacos. Existem alguns medicamentos que têm aplicação nesta doença, mas a experiência ainda é curta. Vários centros continuam a fazer estudos com diferentes fármacos, neste grupo de doenças.
Algumas das terapêuticas têm por fim uma remissão longa da doença e uma maior sobrevivência, mas outras destinam-se a melhorar os valores laboratoriais, os sintomas e subsequentemente a qualidade de vida.
Agentes hipometilantes
A 5-azacitidina e a decitabina (que não está comercializada em Portugal) mostraram em vários estudos diminuir o risco de evolução para transformação leucémica, aumentando assim a sobrevivência. Para além disso, a 5-azacitidina apresenta respostas hematológicas, isto é, aumento do valor das análises em cerca de 60% dos doentes. Este tratamento é feito por via subcutânea, o que evita o internamento. A duração do tratamento depende da continuidade da resposta e da tolerância ao mesmo.
Constatou-se também melhoria da qualidade de vida, por terem diminuído os sintomas e terem melhorado as condições físicas e o estado psicológico.
Também aumentou o tempo médio para a progressão para leucemia, o que é um factor muito positivo.
Modificadores da Resposta Biológica
Dentro deste grupo de agentes, que não são quimioterapia, incluem-se a talidomida, a lenalidomida e imunossupressores de que falaremos à frente, como a globulina anti-timócito e a ciclosporina.
Nas síndromes mielodisplásicas (SMD), assim como na leucemia, há aumento da angiogénese. A talidomida, tendo um efeito anti-angiogénico, pode ter alguma acção nestas doenças. Os estudos efectuados mostraram ligeira melhoria das citopenias, com redução da necessidade transfusional. Em cerca de 20% dos doentes ocorreu resposta a esta terapêutica.

Um outro medicamento da mesma família de drogas imunomoduladoras (IMiDs), a lenalidomida é semelhante à talidomida. Tem sido estudada em ensaios clínicos com doentes com SMD. Um dos estudos mostrou que era eficaz, reduzindo a necessidade de transfusões em 57% dos doentes. A resposta foi ainda mais eficaz num grupo de doentes com SMD com características especiais, o síndrome 5q-, em que se observou que a resposta era de 83%. A lenalidomida está aprovada, nos EUA, para doentes com SMD de baixo e intermédio risco, com alteração no cromossoma 5, dependentes de transfusões de sangue.
Imunossupressores
Em alguns doentes com SMD, em que a medula mostra um número reduzido de células, isto é, a designada forma hipoplásica, pensa-se que isso se deve à acção do sistema imune. Os doentes com estas características, e em especial quando são jovens, tratados com imunossupressores, usados sozinhos ou em combinação, mostraram uma boa resposta. Alguns doentes ficaram independentes de transfusão com este tratamento. Normalmente as respostas são tardias, ao fim de dois ou três meses, e pode mesmo demorar mais de nove meses para que surja uma resposta completa. Por vezes, é necessário repetir o tratamento.






