Quais as terapêuticas de suporte nas síndromes mielodisplásicas?


 

Muitas vezes não há indicação para qualquer tratamento. O doente fica apenas em vigilância, para o caso de agravamento. Designa-se esta situação por “watch and wait”, o que em português quer dizer “ver e esperar”. São feitas análises periódicas e o médico só actua se há agravamento.

 

Nesta fase inicial, e em especial nos doentes de mais idade, não estão indicados tratamentos agressivos, como a quimioterapia, pelo que, quando é necessário, é feita terapêutica de suporte. Isso significa que os tratamentos se destinam a melhorar a qualidade de vida dos doentes, apesar de não serem curativos.

 

É o que se faz quando são estimulados os elementos sanguíneos através de medicamentos que levam ao aumento dos valores hematológicos que estão diminuídos, ou por qualquer modo (por exemplo com transfusões) se tentam corrigir algumas anomalias laboratoriais ou clínicas. O tratamento com hormonas, tais como os corticóides e os androgénios, são geralmente pouco úteis nos doentes com SMD.

 

 

Tratamento da Anemia

 

a) Transfusão sanguínea

 

A anemia é uma das manifestações mais frequentes destas doenças e a que mais condiciona a qualidade de vida dos doentes. A forma mais frequente de tratamento é a transfusão de sangue, quando os valores de hemoglobina se encontram muito baixos. Mesmo com valores menos baixos, a sintomatologia do doente pode levar à necessidade de transfusões de concentrado eritrocitário (CE). Compete ao doente estar alerta para esses sintomas e recorrer ao seu médico quando eles surgirem.

 

Riscos desta terapêutica


• Retenção de líquidos

Um grande número de doentes fica dependente de transfusões de sangue regulares. A transfusão é neste caso indispensável, mas pode acarretar, nalguns doentes mais idosos, algumas complicações. É o caso da retenção de líquidos, que pode levar à descompensação cardíaca. Neste caso, os doentes necessitam de fazer diuréticos, que são medicamentos que levam à excreção dos líquidos por via urinária.

 

• Acumulação de ferro

Um outro inconveniente é a acumulação de ferro nos tecidos provocados pelo excesso de transfusões, uma vez que dentro dos glóbulos vermelhos existe ferro. Este ferro não é eliminado e acumula-se nos tecidos, em especial no coração e no fígado. Quando o valor do ferro em depósito (ferritina) é elevado, ou se fazem muitas transfusões, é aconselhável fazer um tratamento.

 

• Infecções virais

Os outros riscos associados às transfusões são as infecções virais, como a da hepatite B ou C e o Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV). Hoje em dia estes riscos são baixos, porque são sempre feitas análises ao sangue para os detectar.

Apesar de todas estes riscos, temos que pensar que as pessoas que estão nesta fase da sua doença não podem deixar de fazer estes tratamentos. Dependem deles para viverem e depois das transfusões passam a sentir-se muito melhor.

 

b) Factores de Crescimento Eritropoiéticos

 

De forma a minorar a necessidade de transfusões, pode ser sempre tentada a terapêutica com eritropoietina ou darbepoietina, que são factores de crescimento da série eritrocitária e que são eficazes em cerca de um terço dos doentes. É um tratamento que é feito por via subcutânea, com uma frequência variável de acordo com o tipo de factor que se utiliza, isto é, pode ser semanal, quinzenal ou de três em três semanas.

 

É mais eficaz nos doentes que têm uma eritropoietina endógena inferior a 500 mU/ml. Muitas vezes é necessária uma dose maior de eritropoietina do que a usada noutras situações. Nalguns doentes com má resposta à eritropoietina foi descrita uma melhoria quando se adicionava o factor de crescimento granulocitário.

 

c) Vitaminas

 

Outros tratamentos, como a administração de vitaminas com a piridoxina (vitamina B6) e o ácido fólico, podem também ser de utilidade em alguns doentes. Outras vitaminas, como a D3 e a A (ácido retinóico), também têm sido usadas.

 

 

Tratamento da Leucopenia (Baixa dos Glóbulos Brancos)

 

A baixa dos glóbulos brancos pode levar ao aparecimento de infecções. Nos doentes que já tiveram infecções, e que apresentam valores de glóbulos brancos diminuídos, pode fazer-se profilaxia destas, com a administração de factores de crescimento para os glóbulos brancos. Há dois tipos de factores de crescimento: o G-CSF e o GM-CSF.

 

 

Tratamento da Trombocitopenia (Baixa das Plaquetas)

 

Como não existem factores de crescimento para aumentar as plaquetas, tal como acontece para a série vermelha e para a série granulocitária, é necessário administrar transfusão de plaquetas quando estas estão baixas. Apesar da baixa das plaquetas ser frequente quando a doença progride, se não houver diátese, ou febre, só é necessário dar plaquetas quando estas estão abaixo de 10.000. Com a continuação, os doentes tornam-se resistentes às transfusões de plaquetas, por formarem anticorpos, o que implica a necessidade de novas transfusões. Por essa razão não devem ser dadas transfusões de plaquetas profilácticas.