

Quais os exames para "despiste" do cancro colo-rectal?
O seu acompanhamento médico regular é essencial: só assim poderá estabelecer com o seu médico um plano individual e personalizado de consultas e possíveis exames a realizar.
Em função da presença ou ausência dos diferentes factores de risco, é necessário fazer exames de rotina para "despiste" do cancro: só assim poderá haver detecção precoce, ou seja, em fases inicias do seu desenvolvimento aumentando, desta forma, a probabilidade de sucesso do tratamento.
Actualmente, é possível detectar um cancro antes de surgir qualquer problema. Fazer exames regulares para "despiste" do cancro, ou de alguma condição que possa levar a cancro, mesmo em pessoas que não apresentam qualquer sinal ou sintoma, chama-se "rastreio".
Há alguns tipos de cancro nos quais os "exames de rastreio" são muito usados e fazem todo o sentido, como sejam o cancro do cólon e do recto. Para estes tipos de cancro, existem "programas organizados de rastreio" levados a cabo pela Liga Portuguesa Contra o Cancro.
O rastreio do cancro antes do aparecimento de sintomas possibilita ao médico identificar e tratar precocemente pólipos ou mesmo tumores.
A detecção e remoção de pólipos existentes pode prevenir o aparecimento de cancro colo-rectal:
- Se tiver idade igual ou superior a 50 anos, deve fazer rastreio do cancro colo-rectal, mesmo não tendo qualquer factor de risco.
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Se apresentar risco aumentado para desenvolver cancro colo-rectal, fale com o seu médico para poder realizar os exames de rastreio antes dos 50 anos; saiba quais os exames a fazer, os seus benefícios e riscos, bem como a frequência das consultas médicas.
O médico pode explicar-lhe detalhadamente todos os exames.
Assim sendo, os exames considerados de "rastreio" nos diferentes tipos de cancro, são:
Cancro do cólon e recto
para poder detectar pólipos (massas), tumores ou outras alterações no cólon e no recto, são usados vários testes de rastreio. A partir dos 50 anos, deverá fazer o despiste do cancro do cólon e recto. Se tiver risco aumentado para ter cancro do cólon e recto, fale com o seu médico, para saber qual a frequência com que deve fazer os exames de "rastreio".
1. Pesquisa de sangue oculto nas fezes: por vezes, o tumor ou os pólipos sangram. Esta análise permite detectar pequenas quantidades de sangue nas fezes. Se o resultado for positivo, terá que ser identificada a origem.
Existem situações benignas, como as hemorróidas, que podem provocar sangue nas fezes.
2. Sigmoidoscopia: recorrendo a um tubo flexível iluminado e com uma câmara na extremidade, chamado sigmoidoscópio, o seu médico irá observar as paredes interiores do recto e a parte baixa do cólon (cólon descendente); este exame permite fazer biópsias e, regra geral, os pólipos podem ser removidos (polipectomia) através deste tubo.
Os pólipos detectados devem ser removidos.

3. Colonoscopia: usando um tubo longo flexível iluminado, chamado colonoscópio, cuja luz se transmite até à ponta distal do aparelho, e onde existe um sistema de câmara que capta a imagem e envia para um monitor, o seu médico pode observar internamente o recto e todo o cólon (direito e esquerdo). Permite fazer biópsias e, regra geral, os pólipos podem ser removidos através deste tubo.
Os pólipos detectados devem ser removidos.

4. Clister opaco de duplo-contraste: este exame radiológico é efectuado por injecção de uma solução de bário, através do recto; em seguida, é bombeado ar para dentro do recto: o bário e o ar delimitam o cólon e o recto, melhorando as imagens dos raios-X.
Na radiografia podem estar identificados os pólipos.

5. Toque rectal: um exame rectal faz, geralmente, parte de um exame físico de rotina. O seu médico, depois de colocar umas luvas, insere um dedo lubrificado no recto: este exame permite detectar se há dor, sangue ou alterações no ânus (parte distal ou inferior do recto); no entanto, tem exactamente a limitação de só permitir examinar esta parte do recto.

O seu médico, antes de sugerir um exame de "rastreio", considera diversos factores, relacionados com o próprio exame e com o tumor que possa vir a detectar. É, ainda, dada especial atenção ao risco pessoal para desenvolver certos tipos de tumores.
Exemplo de factores a considerar:
- a sua idade,
- a história clínica,
- a saúde e bem estar geral,
- a história familiar e o estilo de vida.
O seu médico também deverá ter em conta a precisão do exame e seus possíveis efeitos nocivos, bem como o risco dos exames clínicos de seguimento ou da cirurgia que possa ter que fazer, para verificar se o resultado anómalo de um determinado exame significa a presença de cancro.
São, ainda, considerados os riscos e benefícios dos possíveis tratamentos, caso os testes detectem um tumor e, ainda, se o tratamento é eficaz naquela situação, bem como quais os efeitos secundários que origina.
Deve falar com o seu médico sobre os possíveis benefícios e riscos de fazer o "despiste" de qualquer tipo de cancro. A decisão de fazer o rastreio, bem como outras decisões médicas, é pessoal.
| Perguntas que pode fazer ao seu médico sobre... o "despiste" | |
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1 |
Quais os exames recomendados na minha situação? Porquê? |
| 2 | Quanto custam os exames médicos? Será que o meu seguro médico vai comparticipar os exames de rastreio? |
| 3 | Os exames vão doer ou fazer-me sentir “mal”? Existem riscos? |
| 4 | Quanto tempo depois de fazer os exames saberei os resultados? |
| 5 | Se os resultados apresentarem um problema, como é que o meu médico vai saber se eu tenho cancro? |
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Pode, ainda, ser necessário fazer uma biópsia: a biópsia é, na realidade, o único processo através do qual se podem tirar conclusões quanto à existência ou não de cancro.
Como é feito o diagnóstico do cancro colo-rectal?
Como em tudo na vida, é essencial que estejamos atentos ao nosso corpo, a toda e qualquer alteração que surja sem que, para tal, haja motivo aparente.
Se tivermos uma atitude proactiva na detecção de qualquer sinal ou sintoma até aqui "desconhecido" e, imediatamente, falarmos com o nosso médico estaremos, com certeza, a ajudar na detecção precoce de qualquer possível problema, mesmo que não seja cancro.
Como poderá imaginar, é fundamental que o diagnóstico de qualquer tipo de cancro seja feito o mais precocemente possível: aumenta a hipótese de cura e pode evitar que o cancro se espalhe - metastize - para outras partes do corpo. Desta forma, estamos a favorecer o prognóstico da situação, a recuperação e a reabilitação.
Quando realiza exames de rotina ou mesmo de "rastreio", se o resultado sugerir a possibilidade de ter um tumor, o seu médico terá que verificar e confirmar se é devido a um cancro ou a qualquer outro motivo.
Para poder fazer o "quadro" completo da situação, provavelmente o seu médico irá falar consigo, fazer algumas perguntas relacionadas com a sua história clínica pessoal e familiar (para poder equacionar a possível presença de determinados factores de risco), bem como fazer um exame físico. Poderá, ainda, pedir-lhe que faça análises, exames imagiológicos (como colonoscopia, raio-X, ecografia) ou qualquer outro exame que seja necessário para esclarecer o diagnóstico.
Se os seus exames evidenciarem alterações, como um pólipo, pode ser necessário fazer uma biópsia, para detectar a possível presença de células cancerosas. Muitas vezes, o tecido anómalo é removido durante a colonoscopia ou a sigmoidoscopia e é, depois, analisado ao microscópio, por um patologista.
Deverá levar para a consulta e mostrar ao seu médico qualquer exame que tenha realizado previamente, mesmo que lhe pareça irrelevante e não relacionado com a actual situação.
Depois de avaliar estes exames, o seu médico, de acordo com a situação global, poderá decidir não fazer quaisquer exames adicionais, nem mesmo tratamento. No entanto, poderá recomendar a marcação de novos exames.
Análises clínicas ou exames laboratoriais
As análises ao sangue podem ajudar o médico a fazer o diagnóstico de qualquer situação que não seja normal.
No nosso organismo, existem determinadas substâncias que, se nas análises estiverem presentes em quantidade elevada, podem ser sinal de cancro. Algumas destas substâncias são marcadores tumorais.
O cancro colo-rectal muitas vezes está associado a níveis elevados no sangue do antigénio carcino-embriónico (CEA), bem como outras substâncias específicas.
Ainda assim, não podemos ser alarmistas: regra geral, ter resultados laboratoriais anómalos não significa que temos cancro.
O seu médico, para estabelecer o diagnóstico de cancro, não pode ter apenas resultados de análises clínicas. Como tal, vão ser necessários outros exames, bem como uma biópsia, para confirmar se é, realmente, cancro e qual o tipo de células presentes.
Exames imagiológicos
Os exames que recorrem à imagem de determinadas áreas do corpo são muito úteis, pois ajudam o seu médico a detectar a presença de inúmeras situações anómalas, incluindo a possível presença de um tumor, no cólon e/ou recto.
As imagens podem ser obtidas de diversas formas:
Colonoscopia: se não se tiver efectuado colonoscopia para o diagnóstico da situação, o seu médico irá observar toda a extensão do cólon e do recto com um colonoscópio, para detectar outras possíveis zonas anómalas.
Raio-X (radiografia) ao tórax: neste caso, será realizado apenas para avaliar se o tumor metastizou para os pulmões.
TAC (tomografia computorizada): através de uma máquina de raios-X, ligada a um computador, são obtidas uma série de imagens detalhadas dos órgãos; para melhor visualização das imagens, pode ser injectado um contraste (corante). A ligação ao computador permite uma visualização mais detalhada dos órgãos internos do nosso corpo.
Ecografia endorectal: neste exame, é inserida uma sonda no recto, que vai enviar ondas sonoras (não audíveis pelas pessoas). As ondas são reflectidas pelo tecidos do recto e estruturas circundantes; depois, um computador usa os ecos para criar uma imagem. A imagem (da ecografia) mostra a profundidade do crescimento do tumor rectal ou se existe metastização para os gânglios linfáticos ou outros tecidos.
RM (ressonância magnética): através de um íman forte, ligado a um computador, são criadas imagens detalhadas de determinadas zonas do corpo, que o seu médico pode, depois, ver num monitor e/ou imprimi-las em filme. A RM é muito útil para saber se o cancro está disseminado.
Biópsia
Na maioria dos casos, o seu médico irá precisar de fazer uma biópsia, para poder diagnosticar um cancro.
Uma biópsia consiste na colheita de uma amostra de tecido que, depois, é examinada ao microscópio por um médico especializado - patologista - de um laboratório.
A amostra pode ser colhida de várias maneiras:
Com agulha: o médico usa uma agulha fina, para recolher tecido ou líquido.
Com endoscópio: o médico usa um tubo fino e iluminado (endoscópio) para observar determinadas zonas do nosso organismo; através deste tubo, o médico pode colher tecidos ou células.
Com cirurgia: a cirurgia pode ser excisional ou incisional.
Biópsia excisional: o cirurgião remove todo o tumor e, por vezes, também remove algum tecido normal que circunda o tumor ("margens").
Biópsia incisional: o cirurgião remove apenas uma parte do tumor, para observação e análise.
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Perguntas que pode fazer ao seu médico sobre... a biópsia |
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1 |
Que tipo de biópsia vou fazer? Porquê? |
| 2 | Onde irei fazer a biópsia? |
| 3 | Quanto tempo irá demorar? Estarei acordado? Vai doer? Serei anestesiado? Qual será o tipo de anestesia? |
| 4 | Existem riscos? Quais são as probabilidades de haver infecção ou perda de sangue, depois deste procedimento? |
| 5 |
Quando saberei os resultados? |
| 6 | Se eu tiver um cancro, quem irá falar comigo acerca dos próximos passos a seguir? Quando? |






