

Quais os factores de risco para ter cancro colo-rectal?
Porque é que umas pessoas têm cancro e outras não? Esta continua a ser a questão que os médicos não conseguem explicar!
A investigação tem demonstrado que há determinados factores que aumentam a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver cancro.
O cancro não é uma doença contagiosa e, como tal, não se "apanha" a doença de outra pessoa.
Nos dias de hoje, começa a ser assumido que o cancro deve ser entendido como uma “doença sistémica crónica” que acompanha o envelhecimento das células.
Desconhecem-se as causas específicas do cancro colo-rectal.
Nos estudos efectuados, foram identificados os seguintes factores de risco para o cancro colo-rectal:
Idade: a probabilidade de ter cancro colo-rectal aumenta com a idade. Mais de 90% dos diagnósticos desta doença referem-se a pessoas com mais de 50 anos. A idade média do diagnóstico é 65 anos.
O factor de risco mais importante para vir a ter cancro é o envelhecimento. Sendo o cancro uma doença dos tecidos e órgãos, à medida que estes vão envelhecendo, começa a “aparecer” o cancro, reforçando uma expressão cada vez mais ouvida, de que o cancro deverá ser considerado como uma doença crónica que acompanha o envelhecimento.
No entanto, o cancro pode surgir em pessoas de todas as idades, incluindo crianças.
Polipos do cólon e recto: os pólipos são saliências do tecido da parede do cólon ou do recto. São comuns em pessoas com mais de 50 anos. A maioria dos pólipos é benigna (não cancerígena), embora alguns se possam tornar cancerígenos (adenomas). A detecção e remoção de pólipos pode reduzir o risco de cancro colo-rectal.
História familiar de cancro colo-rectal: os familiares próximos (pais, irmãos ou filhos) de uma pessoa com história de cancro colo-rectal, têm maior probabilidade de desenvolver a doença, especialmente se o familiar teve a doença ainda jovem. Se muitos familiares tiverem história de cancro colo-rectal, o risco ainda é maior.
Alterações genéticas: se houver alterações em determinados genes, o risco de desenvolver cancro colo-rectal aumenta.
O cancro do cólon não-polipoide hereditário (HNPCC) é o tipo de cancro hereditário, ou genético, mais comum; representa cerca de 2% de todos os casos de cancro colo-rectal, e deve-se a uma alteração genética. Cerca de 3 em cada 4 pessoas com alteração no gene HNPCC, desenvolvem cancro do cólon; a idade média do diagnóstico de cancro do cólon é 44 anos.

A polipose adenomatosa familiar (PAF) hereditária é rara e consiste na formação de centenas de pólipos no tubo digestivo, sobretudo no cólon e no recto; deve-se a uma alteração num gene chamado APC. Se a polipose adenomatosa familiar não for tratada, pode originar cancro colo-rectal, por volta dos 40 anos de idade. A PAF representa menos de 1% dos casos de cancro colo-rectal.
Os familiares de pessoas com HNPCC ou PAF, podem fazer testes genéticos para detectar alterações genéticas. Se tiver alterações nos seus genes, o seu médico pode sugerir formas de tentar reduzir o risco ou melhorar a detecção de cancro colo-rectal. Em adultos com PAF, o médico pode recomendar uma cirurgia para remover a totalidade ou parte do cólon e do recto.
História pessoal de cancro colo-rectal: quem já teve cancro colo-rectal, pode voltar a desenvolver o mesmo tipo de cancro. As mulheres com história de cancro do ovário, do útero (endométrio) ou da mama apresentam, de alguma forma, risco aumentado de desenvolver cancro colo-rectal.
Doença de Crohn ou colite ulcerosa: uma pessoa que teve, durante muitos anos, uma doença que causa inflamação do cólon, como a colite ulcerosa ou a doença de Crohn, apresenta risco acrescido de desenvolver cancro colo-rectal.
Alimentação: alguns estudos sugerem que uma alimentação rica em gorduras, sobretudo gordura animal e pobre em cálcio, folatos e fibras, pode aumentar o risco de cancro colo-rectal. Outros sugerem, ainda, que as pessoas que fazem uma alimentação muito pobre em fruta e legumes podem ter risco acrescido de desenvolver cancro colo-rectal. Faça uma dieta rica em frutas e vegetais. É necessário continuar a investigar de que forma a alimentação contribui para o risco de cancro colo-rectal.
Tabagismo: os fumadores podem apresentar risco aumentado de desenvolver pólipos e cancro colo-rectal.
Álcool: o papel do álcool na origem do cancro não está bem definido, ao contrário do que acontece com o tabaco; no entanto, está demonstrado que o álcool é um importante agente potenciador do efeito carcinogénico de certos agentes, aumentando o seu efeito. O consumo excessivo de álcool potencia os efeitos do tabaco nos cancros da cavidade oral, da faringe, da laringe e do esófago.
Se, durante muitos anos, beber mais de duas bebidas alcoólicas por dia, pode aumentar a probabilidade de vir a desenvolver cancro da cavidade oral, da garganta, do esófago, da laringe, do fígado e da mama. O risco aumenta com a quantidade de álcool ingerida. O risco é mais elevado se ao hábito de beber se adicionar o de fumar!
Actividade física e/ou excesso de peso: o sedentarismo e o excesso de peso, representam risco aumentado para vários tipos de cancro, como o cancro do cólon.
Fazer uma dieta saudável, ser fisicamente activo e manter um peso adequado, pode ajudar a reduzir o risco de desenvolver cancro colo-rectal. Para tal, o seu médico poderá sugerir que:
Coma bem. Uma dieta saudável, inclui muitos alimentos ricos em fibra, vitaminas e minerais: inclui pão e cereais integrais, e 5 a 9 doses de fruta e vegetais, todos os dias. Uma dieta saudável significa, também, limitar os alimentos ricos em gordura, como manteiga, leite gordo, fritos e carne vermelha (vaca, porco).
Seja activo e mantenha um peso adequado. A actividade física pode ajudar a controlar o peso e a reduzir a massa corporal. A maioria dos investigadores concorda que um adulto deve fazer actividade física moderada, tal como andar energicamente durante, pelo menos, 30 minutos, em 5 ou mais dias da semana.
Muitos destes factores de risco podem, claramente, ser evitados; outros, como por exemplo a história familiar, não podem.
Desta forma, é importante referir ao seu médico todos e quaisquer dados clínicos familiares relevantes que existam na sua família, mesmo que essa informação possa parcer-lhe irrelevante.
Relativamente aos factores de risco que não estejam relacionados com a história "familiar" deve, sempre que possível, evitar-se a exposição. Alguns exemplos de factores de risco que se podem evitar, são a exposição excessiva ao tabaco e uma dieta rica em gorduras, entre outros.
Se pensa que pode apresentar risco aumentado para ter cancro, exponha essa preocupação ao seu médico. Desta forma, o seu médico poderá dizer-lhe como reduzir o risco e qual o melhor "calendário" para fazer exames regulares, de acordo com toda a informação que lhe der.
Adicionalmente, e com o avanço da idade, vários factores podem agir conjuntamente, levando a que algumas células normais se "transformem" em células cancerosas. Quando se avalia o risco de ter cancro, devem sempre ser considerados esses factores de forma conjunta e "integrada".
Ainda assim, é importante voltar a lembrar que:
- Nem tudo provoca cancro!
- O cancro não é causado por uma ferida, por um inchaço ou uma "pancada"!
- O cancro não é contagioso: ninguém "apanha" cancro de outra pessoa!
- Estar infectado com alguns vírus e/ou bactérias pode aumentar o risco de ter alguns tipos de cancro.
- Se apresentar um ou mais factores de risco, não quer dizer que venha a ter cancro; a maioria das pessoas com factores de risco nunca irão desenvolver cancro.
- Algumas pessoas são mais sensíveis aos factores de risco conhecidos do que outras.
Deverá informar o seu médico se acha que tem um padrão para determinado tipo de cancro, na sua família; desta forma, o médico poderá tentar reduzir o seu risco para desenvolver cancro e poderá, ainda, sugerir que realize exames que permitam detectar o tumor numa fase precoce.
Da mesma forma, se tem, ou pensa ter história familiar de cancro, fale com o seu médico sobre a possibilidade de realizar os testes genéticos: só assim poderão ser investigadas determinadas alterações genéticas hereditárias que aumentam a probabilidade de desenvolver cancro.
É importante saber que, o facto de herdar uma alteração genética não significa, necessariamente, que venha a desenvolver cancro: significa, isso sim, que tem maior probabilidade de desenvolver a doença e, como tal, deverá ter acompanhamento do seu médico.
Não hesite em falar com o seu médico, sempre que tenha dúvidas ou se pensa apresentar risco aumentado para cancro colo-rectal.






