

Como será a fase de tratamento do cancro colo-rectal?
Depois do diagnóstico de cancro colo-rectal, é normal atravessar um período de choque, stress e depressão.
No entanto, é importante ser positivo e "lutar" contra o cancro; estar informado sobre a doença e sobre os métodos de tratamento disponíveis ajuda a colaborar “verdadeiramente” com o médico e a reagir positivamente.
Para se construir uma relação de parceria na luta contra o cancro, entre médico e doente, é importante esclarecer todas as dúvidas com os profissionais de saúde que acompanham o caso. Por vezes, é útil elaborar uma lista das perguntas e dúvidas a colocar ao médico, antes da consulta.
Cada caso é um caso e, como tal, de acordo com cada situação, o médico poderá aconselhar a consulta com diferentes médicos especialistas que tratam cancro: cirurgião, oncologista, médico especialista (ex: gastroenterologista), radioterapeuta. Pode, inclusive, ter um médico especialista para cada tipo de tratamento que vá realizar.
Regra geral, o tratamento do cancro começa poucas semanas depois de confirmado o diagnóstico. Como tal, tem tempo para falar com o médico sobre as diferentes opções possíveis de tratamento e, se considerar necessário, ouvir uma segunda opinião, antes de tomar qualquer decisão sobre o tratamento.
Quais os tratamentos actualmente disponíveis para o cancro colo-rectal?
Hoje em dia, existem várias opções de tratamento para o cancro colo-rectal. Estes tratamentos incluem a cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia.
O ideal, tendo em conta a diversidade molecular dos tumores, será recorrer à associação de diferentes agentes, de diferentes opções terapêuticas, de forma a maximizar o benefício terapêutico final. A investigação deverá optimizar a utilização conjunta destes agentes.
Na maioria dos casos, o factor mais importante e determinante na escolha do tratamento é, sem dúvida, a localização do tumor, no cólon ou no recto, e o estadio da doença, ou seja, a fase de desenvolvimento do tumor.
O cancro do cólon é, por vezes, tratado de modo diferente do cancro do recto; como tal, os tratamentos serão descritos separadamente.
Muitas vezes o objectivo do tratamento é a cura, noutras é controlar a doença ou atenuar os sintomas, durante o maior período de tempo possível.
O plano de tratamento pode sofrer alterações ao longo do tempo.
Alguns tipos de tumores respondem melhor a um só tipo de tratamento, enquanto outros podem responder melhor a uma associação de medicamentos ou mesmo de modalidades de tratamento.
Os tratamentos podem incidir numa zona específica - terapêutica local - ou em todo o organismo: terapêutica sistémica:
Tratamento local: é qualquer tratamento que remove ou "destrói" as células do cancro, no local, ou seja, no próprio local do tumor primário (ex: cirurgia e radioterapia).
Se o cancro estiver disseminado (metastizado) noutras zonas do corpo, a terapêutica local pode ser usada apenas para controlar a doença, nessa área específica, mas não noutros locais do organismo.
Tratamento sistémico: é qualquer tratamento que "entra" na corrente sanguínea, com o objectivo de "destruir" ou controlar o cancro em todo o organismo (ex: quimioterapia, terapêutica hormonal e imunoterapia).
Há casos em que a terapêutica sistémica é administrada para diminuir o tamanho do tumor, antes da cirurgia ou da radioterapia, para que a intervenção seja menos extensa - tratamento neo-adjuvante.
Noutros casos, a terapêutica sistémica é administrada depois da cirurgia e/ou da radioterapia, para prevenir que alguma célula cancerígena tenha permanecido no organismo e possa ser responsável pelo reaparecimento do cancro - recidiva da doença.
Os tratamentos sistémicos também são usados no cancro metastizado.
O tratamento para o cancro pode ter diferentes objectivos:
Tratamento neo-adjuvante: no caso de tumores grandes, regra geral em estadios II ou III, pode ser útil e necessário fazer algum tratamento, antes da cirurgia. O tratamento anterior à cirurgia pode diminuir o tamanho de um tumor inicial grande, possibilitando uma abordagem cirúrgica mais conservadora. Neste caso, o tratamento designar-se-á como “tratamento neo-adjuvante”. Como tratamento neo-adjuvante, pode fazer-se quimioterapia, radioterapia, terapêutica hormonal e imunoterapia, consoante o tipo de cancro.
Tratamento adjuvante: depois de uma cirurgia em que tenha sido removido o tumor inicial poderá, ainda, fazer-se um "tratamento adjuvante", ou seja, qualquer tratamento realizado cujo objectivo seja destruir possíveis células tumorais que possam ter ficado no local do tumor e, desta forma, tentar prevenir o reaparecimento do cancro, no local do tumor primário (metastização local) ou noutra zona do organismo (metastização à distância). Como tratamento adjuvante, pode fazer-se quimioterapia, radioterapia, terapêutica hormonal e imunoterapia, consoante o tipo de cancro.
Tratamento paliativo: quando o cancro está metastizado, considera-se que qualquer tratamento efectuado terá um intuito paliativo e não curativo; neste caso, o tratamento terá como objectivo tentar controlar e parar a “evolução” do tumor, bem como aliviar (ou paliar) os sintomas da própria doença, numa tentativa de melhorar a qualidade de vida.
É importante perguntar ao seu médico de que forma o tratamento poderá alterar ou interferir com as suas actividades diárias normais e com a sua aparência, durante e após o tratamento; poderá, ainda, perguntar como será feita a escolha dos tratamentos, quais os possíveis efeitos secundários, bem como quais os resultados esperados com o tratamento.
Cada caso é um caso e, como tal, o seu médico irá delinear, consigo, um plano de tratamento em conformidade com as suas necessidades. O médico poderá falar consigo sobre as possíveis abordagens terapêuticas e os resultados esperados. Cada pessoa deverá desenvolver e estabelecer, com o seu médico, um plano de tratamento que seja compatível, dentro do possível, com as suas necessidades, valores pessoais e estilo de vida.
Tratamento do Cancro do Cólon
No cancro do cólon, o tratamento mais utilizado é a cirurgia. No entanto, algumas pessoas fazem uma associação de tratamentos: cirurgia com quimioterapia e, muitas vezes, com imunoterapia.
No cancro do cólon, raramente é necessário fazer colostomia.
A radioterapia não é muito utilizada no tratamento do cancro do cólon; no entanto, pode ser usada com intuito paliativo, ou seja, para aliviar a dor e outros sintomas do cancro.
Tratamento do Cancro do Recto
Seja qual for o estadio do cancro do recto, a cirurgia é o tratamento mais comum. Alguns doentes fazem uma associação de tratamentos, que pode incluir: cirurgia, radioterapia, quimioterapia e imunoterapia.
Aproximadamente 1 em cada 8 pessoas com cancro do recto necessita de colostomia permanente.
A radioterapia pode ser administrada antes e depois da cirurgia (intuito neoadjuvante e adjuvante, respectivamente).
Actualmente, já existem hospitais onde poderá fazer radioterapia durante a cirurgia, ou seja, radioterapia intra-operatória.
No cancro do recto, a radioterapia pode ser usada com intuito paliativo.
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Perguntas que pode fazer ao seu médico sobre... o tratamento |
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1 |
Qual o objectivo do tratamento que irei fazer? |
| 2 | Qual o estadio da minha doença? |
| 3 | Quais as opções possíveis de tratamento? O que recomenda para o meu caso específico? Porquê |
| 4 | Como poderei preparar-me para o tratamento? |
| 5 |
Com que frequência irei fazer os tratamentos? Qual a duração total do meu tratamento? |
| 6 | Quais os benefícios esperados com cada tipo de tratamento? |
| 7 | Quais os riscos e possíveis efeitos secundários de cada tratamento? Como poderão ser controlados? |
| 8 | A minha fertilidade pode ser afectada pelo tratamento que vou fazer? Deverei considerar a possibilidade de armazenar espermatozóides ou óvulos? |
| 9 | Quanto irá custar o tratamento? Este tratamento estará coberto pela minha apólice de seguro? |
| 10 | Em que medida irá o tratamento afectar as minhas actividades normais? Será provável que venha a ter problemas urinários? E problemas intestinais, como diarreia ou perda de sangue rectal? Será que o tratamento vai afectar a minha vida sexual? |
| 11 | No meu caso específico, será adequada a participação num ensaio clínico? |
Quais são os critérios para a escolha do tratamento do cancro colo-rectal?
As opções de tratamento do seu tipo de cancro dependem, essencialmente, do estadio ou fase de desenvolvimento da doença. Adicionalmente são, ainda, considerados outros factores, como sejam:
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Dimensão do tumor, relativamente à dimensão total do órgão;
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Resultado dos testes laboratoriais (ex.: presença ou não de determinados receptores específicos, como o EGFR…);
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Estado geral de saúde.
Para poder avaliar a extensão e o estadio do seu cancro, o médico poderá solicitar a realização de vários testes e exames complementares – exames complementares de diagnóstico.
Quais são os possíveis efeitos secundários gerais do tratamento do cancro colo-rectal?
Regra geral, qualquer tratamento para tratar o cancro, apresenta efeitos secundários.
Ainda que se tente utilizar tratamentos específicos para determinado tipo de cancro e, mais ainda, para determinado tipo de células, a verdade é que existe sempre a probabilidade do tratamento danificar e afectar também as células e tecidos saudáveis, e não apenas as células tumorais. Como consequência, surgem os efeitos secundários.
Alguns efeitos secundários específicos dependem, essencialmente, do tipo de tratamento e sua extensão (se são tratamentos locais ou sistémicos).
O mesmo tratamento, administrado em pessoas diferentes, pode provocar efeitos secundários diferentes, quer na descrição do próprio efeito quer na intensidade sentida.
Por outro lado, os efeitos secundários sentidos numa sessão de tratamento podem ser diferentes ou mesmo desaparecer, na sessão seguinte.
O seu médico e os restantes profissionais de saúde que acompanham os seus tratamentos, irão explicar-lhe os possíveis efeitos secundários do tratamento e a melhor forma de os controlar ou tratar.
Poderá querer falar com o médico sobre a possibilidade de participar num ensaio clínico, ou seja, num estudo de investigação de novos métodos de tratamento.






