Quais os exames de diagnóstico para o cancro da mama?


 

O acompanhamento médico regular de qualquer pessoa é essencial: só assim poderá ser estabelecido um plano individual e personalizado de consultas e possíveis exames a realizar.

Em função da presença ou ausência de factores de risco, é necessário fazer exames de rotina para “despiste” do cancro da mama: só assim poderá haver uma detecção precoce, aumentando a probabilidade de sucesso do tratamento.

Em Portugal, mesmo na idade em que o rastreio do cancro da mama é aconselhado, não existe uma cobertura completa do território nacional e por isso muitas mulheres não vão ser incluídas neste programa.


Consulte o seu médico de família para saber se vai ser incluída no programa de rastreio do cancro da mama. Se assim for irá ser chamada para a realização de mamografias periódicas (de 2 em 2 anos). Se tal não suceder terá que ser estabelecido com o seu médico assistente um programa de rastreio para si, individualmente. (Liga Portuguesa Contra o Cancro)

Antes de haver quaisquer sinais ou sintomas, o médico poderá sugerir a realização de determinados exames, como sejam:

  • Auto-exame da mama
  • Exame clínico da mama
  • Mamografia de rotina
  • Mamografia de confirmação ou diagnóstico
  • Ecografia mamária

 


Seja cuidadosa

 

Consulte periodicamente o seu médico e faça regularmente os exames (nomeadamente as mamografias).


Este é o caminho certo para o diagnóstico precoce da doença.


 

 

O que é o auto-exame da mama

 

O auto-exame da mama corresponde à observação cuidada das duas mamas, efectuada pela própria pessoa, para avaliar quaisquer possíveis alterações.

Apesar de se poder e dever realizar em todas as idades tem particular interesse até aos 40 anos, pois até essa idade não existem exames de rastreio aconselhados.

O auto-exame deverá ser feito mensalmente. A melhor altura para fazer esta observação é aproximadamente uma semana depois da menstruação (no fim do período menstrual). Se não tem uma menstruação regular ou se está em menopausa, deverá realizar o auto-exame sempre no mesmo dia de cada mês, para poder comparar as observações, pois durante o ciclo menstrual as mamas "sofrem" algumas alterações, que são normais.

Quando fizer este exame, deverá lembrar-se que as mamas são diferentes, de mulher para mulher e, mesmo na mesma mulher, as duas mamas não são iguais.

Nas mamas, podem surgir alterações devido à idade, à fase do ciclo menstrual, à gravidez, à menopausa ou à toma de pílulas anti-concepcionais ou outras hormonas.

É normal sentir que as mamas são um pouco irregulares e não lisas. Por outro lado, uns dias antes da menstruação é comum as mamas estarem inchadas e mais sensíveis, podendo mesmo haver uma sensação de dor.

 

Durante o auto-exame da mama ou em qualquer outra altura, se notar alguma alteração que não seja “normal” em si, contacte o médico logo que possível.

É importante estar consciente que o auto-exame da mama não substitui a mamografia regular, se estiver em idade de a fazer (de acordo com a periodicidade estabelecida pelo médico).

Para realizar o auto-exame da mama de forma correcta, é importante estar relaxada e ter disponibilidade para passar por todas as etapas de forma correcta, sem interrupções.

Deverá colocar-se de pé, em frente ao espelho, com os braços caídos ao longo do corpo.

 

1. Compare as duas mamas, tendo em atenção a forma e o tamanho. Não é invulgar que uma mama seja maior do que a outra. Verifique se as mamas apresentam nódulos ou saliências; observe se houve alguma mudança no tamanho ou aspecto das mamas, como a formação de rugas ou pregas, depressões ou descamação da pele. Verifique se os mamilos estão normais ou, pelo contrário, se estão retraídos ou escondidos e “virados para dentro”. No mamilo, tente detectar a possível presença de nódulos, o aparecimento de algum tipo de secreção ou perda de líquido.

Observe as mesmas características mas, agora, com os braços em diferentes posições.

 

2. Levante o braço esquerdo. Examine a mama esquerda com a mão direita, pressionando com a ponta dos dedos. Palpe a mama esquerda, de forma minuciosa e calma. Comece pela extremidade exterior, realizando movimentos circulares. Palpe toda a mama. Examine, também, a área próxima da axila, passando pela clavícula, bem como a zona abaixo da mama. Pressione suavemente o mamilo e verifique se existe algum tipo de secreção ou perda de líquido.

Repita o passo 2 mas, agora, na mama direita.

Repita o passo 2 nas duas mamas, mas agora deitada. Deve deitar-se de costas, com o braço sobre a cabeça e colocando uma almofada (ou uma toalha dobrada) sob o ombro do lado da mama que vai examinar. Esta posição é favorável a um bom exame da mama.

 

 

O que é o exame clínico da mama

 

O exame clínico da mama deverá ser sempre realizado por um médico.

Nesta etapa inicial, é muito importante haver envolvimento do seu médico do Centro de Saúde, tendo em conta que, regra geral, é aí que muitos casos são, ou deveriam ser, identificados.

Como tal, se o seu Clínico Geral identificar alguma alteração suspeita irá, então, dar continuidade ao processo, provavelmente através da realização de exames que permitam esclarecer a sua situação clínica e, se tal for necessário, irá remetê-la para outros médicos especialistas (ex: cirurgião, oncologista, ginecologista).

No exame clínico da mama, o seu médico palpa as duas mamas, em diferentes posições: de pé, sentada e deitada. Para que possa ser bem observada, o médico poderá pedir que levante os braços acima da cabeça, que os deixe caídos ou que faça força com as mãos contra as coxas ou na anca.

O objectivo desta observação detalhada é serem detectadas quaisquer possíveis diferenças entre as mamas, incluindo diferenças invulgares de tamanho ou forma. Na pele, é verificada a presença de vermelhidão, depressões cutâneas ou outros sinais anormais. Os mamilos devem ser pressionados, para verificar se existe alguma secreção ou perda de líquido. O médico irá examinar toda a mama, recorrendo à "ponta dos dedos" para sentir quaisquer alterações e/ou nódulos presentes; poderá, ainda, palpar a área axilar (debaixo do braço) e a zona da clavícula, primeiro de um lado e depois do outro (esquerdo e direito), para verificar se os gânglios linfáticos existentes na proximidade da mama estão inchados ou aumentados.

Antes de se conseguir sentir ou palpar um nódulo este apresenta, regra geral, o tamanho de uma ervilha.

O exame clínico da mama pode confirmar ou esclarecer o auto-exame; o médico especialista em patologia mamária – senologista – é a pessoa mais indicada para confirmar o diagnóstico.

O exame clínico completo da mama pode demorar aproximadamente 10 minutos, ou um pouco mais.

 

 

Mamografia

 

Para a detecção precoce do cancro da mama, actualmente é recomendado que:

 

Mulheres com 40 anos ou mais: devem fazer uma mamografia anualmente ou em cada dois anos.

 

Mulheres com risco aumentado para cancro da mama: mamografia aos 35 anos (antes depende da idade em que os familiares tiveram cancro da mama).

 

A mamografia permite a detecção de lesões, com grande precisão, e aproximadamente 1 a 2 anos antes de serem palpáveis. Na maioria dos casos, este exame não é doloroso, uma vez que corresponde a uma radiografia simples da mama. No entanto, tendo em conta que a mama tem que ser “comprimida” ou “espalmada”, para permitir ver os diferentes quadrantes, é aconselhável fazer a mamografia quando a mama se encontra menos sensível e menos tensa, ou seja, imediatamente depois da menstruação (no casos de ainda não estar em menopausa).

 

Cancro da mama

 

 

A mamografia permitir, ainda, identificar microcalcificações (agregação de pequenas partículas de cálcio que resultam de células mortas).

Tanto os caroços como estas microcalcificações  podem, ou não, ser sinal de cancro da mama.

Na mamografia, se surgir alguma alteração o médico poderá pedir  para que o exame seja repetido. Poderá ainda ser necessário associar uma ecografia.

Qualquer alteração na mamografia que cause dúvidas deverá ser avaliada na ecografia.

Pode, ainda, ser necessário fazer uma biópsia: a biópsia é, na realidade, o único processo através do qual se podem tirar conclusões quanto à existência ou não de cancro.

A mamografia é, actualmente, a melhor "ferramenta" de que os médicos dispõem para descobrir um cancro em fase precoce.

No entanto, na mamografia podem não ser detectados alguns cancros - os chamados "falsos negativos" ou, por outro lado, pode ser detectado algo que, mais tarde, se verifique não ser um cancro: são os chamados "falsos positivos".

Há, ainda, alguns tumores de crescimento rápido que podem já ter metastizado para outras partes do corpo, antes que a mamografia os tenha detectado.

A mamografia, tal como os raios-X aos dentes e outros raios-X que são efectuados por rotina, utiliza doses baixas de radiação. Por norma, os benefícios superam os riscos, ainda que a exposição repetida e excessiva aos raios-X possa ser nociva (sobretudo se desnecessária)

 

 

Como é feito o diagnóstico de cancro da mama?


 

Sempre que seja detectada uma alteração na mama, qualquer que seja, deverá comunicá-la de imediato ao médico, para determinar qual a causa ou etiologia da alteração.

É importante não entrar em pânico. O facto de surgir alguma alteração na mama, não significa que tenha um cancro da mama.

É fundamental que o diagnóstico do cancro da mama seja feito o mais precocemente possível: aumenta a hipótese de cura e evita que o cancro se espalhe (metastize) para outras partes do corpo; como tal, favorece o prognóstico, a recuperação e a reabilitação.

Para poder fazer o "quadro" completo da situação, provavelmente o médico irá fazer perguntas sobre a história clínica pessoal e familiar, para poder equacionar a possível presença de determinados factores de risco para cancro da mama.

Qualquer exame que tenha realizado previamente na mama, como a mamografia ou a ecografia mamária, com imagem dos tecidos internos da mama, deverão ser mostrados ao médico.

 

 

Depois de avaliar estes exames, o médico poderá decidir não fazer quaisquer exames adicionais, nem mesmo tratamento.

No diagnóstico de cancro da mama, é essencial o exame clínico minucioso da mama, em que o médico palpa cada uma das mamas, procurando a possível presença de nódulos e/ou gânglios. Através da palpação, o médico poderá conseguir caracterizar um nódulo, sentindo o próprio nódulo e a pele em volta.

Para complementar a informação obtida do exame clínico, e se ainda não existem exames imagiológicos da mama, deverá ser feita uma mamografia de diagnóstico , para ter imagens mais claras e detalhadas de qualquer área que pareça suspeita ou anormal.

Como complemento das imagens obtidas na mamografia deve ainda ser efectuada uma ecografia mamária (ultra-sons). Este exame continua a ter grande importância, tendo em conta que ajuda a distinguir se os nódulos detectados pela mamografia apresentam características malignas ou benignas. Frequentemente, através da ecografia, percebe-se se um nódulo é um quisto (cheio de líquido), ou uma massa sólida que pode, ou não, ser cancro.

Se houver necessidade de esclarecer alguma imagem do tecido mamário, que possa ser dúbia ou pouco nítida poder-se-á, ainda, recorrer à ressonância magnética. Este exame imagiológico pode ser usado em conjunto com a mamografia e ecografia.

Quando há algo suspeito na mama, identificado quer no exame clínico quer nas imagens, o médico irá pedir uma biópsia: só assim poderá verificar, com certeza se, na zona suspeita, existem células cancerosas. Na biópsia é retirado um pouco de tecido ou líquido da mama, para poder ser analisado num laboratório especializado.

 

Mesmo que o nódulo seja palpável, a biópsia deve ser feita preferencialmente sob controlo ecográfico. No caso de não haver imagem na ecografia, mas a mamografia mostrar uma alteração que é suspeita, a biópsia deve ser realizada utilizando este aparelho (estereotaxia). Isto acontece frequentemente nas microcalcificações que muitas vezes não se vêm na ecografia.

 

 

 

recolha

 

 

Com a biópsa de agulha grossa, no caso de ser diagnosticado um cancro da mama, o médico poderá pedir que sejam realizados testes laboratoriais especiais, no tecido removido. Os resultados destes testes irão ajudar o médico a saber mais sobre o tipo de cancro e a planear adequadamente os próximos passos, incluindo o tipo de tratamento a realizar.

Todas as mulheres com cancro da mama irão fazer alguns testes específicos, como sejam:

 

pesquisa de receptores hormonais: esta informação é relevante para saber se o cancro necessita de hormonas (estrogénios ou progesterona) para se desenvolver. Os resultados podem condicionar a escolha e planeamento do tratamento.


pesquisa do aumento (ou sobreexpressão) do receptor-2 para o factor de crescimento epidérmico humano (HER2) - receptor existente na membrana das células tumorais, também designado gene HER2/neu. Esta alteração corresponde a um sub-tipo específico de cancro da mama, o cancro da mama HER2 positivo (HER2+); este aumento é detectado, nos tecidos, por uma técnica laboratorial. O cancro da mama HER2+ está associado a maior agressividade da doença. No entanto, já existem terapêuticas específicas para as células HER2+.

 

No caso de ter sido diagnosticado um cancro da mama, coloca-se a dúvida se já se terá disseminado e invadido outros órgãos. Habitualmente, nas situações de cancros pequenas dimensões (menos de 20 mm) e em que não existem gânglios axilares suspeitos, presume-se que o cancro ainda não se espalhou e não se pedem mais exames.


No caso de tumores maiores e com gânglios axilares suspeitos podem ser solicitados outros exames que poderão ajudar a verificar se o cancro está disseminado a outros órgãos do corpo.,como raio-X, exames ao sangue, ecografia, cintigrama ósseo, provas de função hepática, entre outros.

 

 

CA 15-3