

Quais os exames a fazer para detectar precocemente o cancro da próstata?
O acompanhamento regular pelo seu médico assistente é essencial. Só assim, poderá estabelecer com ele um plano individual e personalizado de consultas e possíveis exames a realizar.
Em função dos factores de risco, da sintomatologia apresentada e de alguma alteração suspeita identificada, o seu médico assistente irá dar continuidade ao processo, provavelmente através da realização de exames que permitam esclarecer a sua situação clínica e, se tal for necessário, irá remetê-lo para outros médicos especialistas (ex: urologista, cirurgião, oncologista, radiologista). Desta forma, poderá ser feito um diagnóstico precoce do cancro da próstata, ou seja, em fases inicias do seu desenvolvimento, aumentando a probabilidade de sucesso do tratamento.
Alguns tipos de cancro podem ser detectados antes de começarem a causar sintomas. Fazer exames regulares para detecção do cancro, ou de alguma condição que possa levar a cancro, em pessoas que não apresentam qualquer sinal ou sintoma, chama-se "rastreio".
O "rastreio" à população masculina, antes de haver quaisquer sinais e sintomas, pode ajudar os médicos a encontrar e tratar, precocemente, o cancro da próstata. No entanto, não está provado que os exames de rastreio reduzam o número de mortes por cancro da próstata.
Os exames usados são:
Toque rectal
um exame rectal faz, geralmente, parte de um exame físico de rotina. O seu médico, depois de colocar umas luvas, insere um dedo lubrificado no recto, através do ânus. Este exame permite detectar se há dor, sangue ou alterações no ânus e na parte distal do recto; permite, ainda, palpar a próstata e verificar se esta se apresenta normal ou com alterações, como por exemplo zonas duras ou nodulares.

Análise do antigénio específico da próstata (PSA)
esta é uma substância produzida pelas células da próstata, normais e cancerosas, e é normalmente encontrada no sémen e também no sangue, em pequenas quantidades: no homem saudável < 4ng/ml.
Através de uma análise, é avaliado o nível de PSA no sangue; quanto mais elevado for o nível de PSA, maior a probabilidade de ter cancro da próstata. No entanto, níveis inferiores a 4ng/ml, não excluem a presença de cancro: cerca de 15% dos homens com PSA < 4ng/ml têm cancro da próstata; PSA entre 4 e 10 ng/ml tem 25% de probabilidade de ter cancro e PSA > 10ng/ml a probabilidade é superior a 50%.
É muito importante ter presente que o PSA também pode estar elevado noutras situações:
- HBP (hipertrofia benigna da próstata): aumento do volume da próstata, frequente com o aumento da idade;
- Prostatite (inflamação/infecção da próstata).
- Idade: aumenta ligeiramente com a idade, mesmo sem haver anormalidade na próstata.
- Ejaculação recente: provoca um aumento transitório do PSA; deve fazer a análise 2 dias depois da última ejaculação.
Por outro lado, é igualmente importante ter presente que o PSA pode estar "falsamente" baixo em algumas situações:
- Uso de medicamentos: Fnasteride e Dutasteride, usados para tratar a HBP.
- Obesidade.
- “Alguns produtos naturais”.
O toque rectal e a análise do PSA podem ser usados para detectar problemas na próstata, embora não permitam concluir se se trata de um cancro ou de outro problema menos grave. Perante os resultados destes testes, o médico discutirá com o doente o risco de cancro da próstata e a necessidade de avançar, ou não, para uma biópsia e outros exames.
Em alguns casos, o médico pode usar outros testes, em conjunto com o PSA, para melhor ajuizar da necessidade de efectuar uma biópsia: PSA livre; velocidade de aumento do PSA; valores de PSA ajustados para a idade; densidade de PSA. Estes testes não são aceites, de forma generalizada, por todos os médicos e organizações científicas e, como tal, deve ser discutida a sua utilidade, caso a caso.
Com base nos dados actuais, as principais entidades científicas americanas e europeias não recomendam que se faça, de forma sistemática, o rastreio do cancro da próstata, já que não há evidência segura de que haja diminuição da mortalidade. No entanto, a decisão de iniciar testes de detecção precoce do cancro da próstata, PSA e toque rectal anuais, nos homens a partir dos 50 anos, sem risco aumentado e com uma esperança de vida de, pelo menos, 10 anos, deve ser previamente discutida com o doente, com especial ênfase nos riscos e benefícios que daí podem advir.
Para os doentes de alto risco (raça negra, familiar directo com cancro da próstata), esta discussão deve ser iniciada aos 45 anos, ou aos 40 anos para os de muito alto risco (vários familiares directos com cancro da próstata em idade precoce).
Deve falar com o seu médico sobre os possíveis benefícios e riscos de qualquer procedimento de diagnóstico ou tratamento. A decisão deve ser sempre personalizada.
| Perguntas que pode fazer ao seu médico sobre... o "despiste" | |
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1 |
Quais os exames recomendados na minha situação? |
| 2 | Quanto custam os exames médicos? Será que o meu seguro médico vai comparticipar os exames de rastreio? |
| 3 | Os exames vão doer ou fazer-me sentir “mal”? Existem riscos? |
| 4 | Quanto tempo depois de fazer os exames saberei os resultados? |
| 5 | Se os resultados apresentarem um problema, como é que o meu médico vai saber se eu tenho cancro? |
Como é feito o diagnóstico de cancro da próstata?
Biópsia
A biópsia é o único exame que pode confirmar a presença de cancro; é feita, habitualmente, por um Urologista (especialista em doenças do aparelho genito-urinário) ou Radiologista (especialista em exames com aparelhos de imagem).
A biópsia consiste na colheita de um fragmento da próstata que, depois, é examinada ao microscópio, por um médico especializado – Patologista – de um laboratório, para pesquisar a possível presença de células cancerosas.
Neste caso, o médico insere uma agulha, através do recto e até à próstata, e remove um pequeno fragmento de próstata – biópsia transrectal. A biópsia também pode ser feita por via perineal, quando se insere a agulha através da pele que separa o escroto do ânus. São colhidos fragmentos de diversas zonas da próstata, entre 8 a 18 (média 12). Pode ser utilizada uma ecografia para guiar a agulha. Os fragmentos são, posteriormente, enviados para o laboratório, para análise.
A biópsia é, habitualmente, feita em ambulatório, isto é, no consultório, sem necessidade de internamento. Regra geral, não é muito dolorosa e habitualmente é feita com anestesia local. A biópsia demora cerca de 15 minutos. Em alguns casos, o médico pode receitar antibióticos, para tomar antes e depois. Durante alguns dias após a biópsia, pode sentir algum desconforto, bem como a presença de uma pequena quantidade de sangue, nas fezes e no sémen.
Resultado da biópsia
Após alguns dias, o Patologista dará o resultado da biópsia. Caso tenha observado células cancerosas, então faz o diagnóstico de ADENOCARCINOMA. Neste caso, ainda dá outra informação que classifica o tumor em graus (graus de Gleason): Grau 1 - semelhante ao tecido prostático normal e menos agressivo; Grau 5 - muito diferente do tecido prostático normal e mais agressivo. Como o Patologista faz esta classificação em duas localizações diferentes do tumor, depois soma os valores e a classificação final vai até 10 pontos (score de Gleason): 2 a 4 pontos, baixo grau; 5 a 7 pontos, grau intermédio; 8 a 10 pontos, alto grau. O score de Geason dá-nos informação sobre a agressividade do tumor e a probabilidade dele se espalhar (metastizar) para outros órgãos.
Por vezes a biópsia é negativa, isto é, não se encontram células cancerosas. No entanto, em alguns casos podem ser encontradas alterações suspeitas (PIN e ASAP); nestes casos é, habitualmente, necessário repetir a biópsia, num espaço de tempo a determinar, em função da situação clínica.

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Perguntas que pode fazer ao seu médico sobre... a biópsia |
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1 |
Que tipo de biópsia vou fazer? Porquê? |
| 2 | Onde irei fazer a biópsia? Vou ter que ir ao hospital? |
| 3 | Quanto tempo irá demorar? Vou estar acordado? Vai doer? Serei anestesiado? Qual será o tipo de anestesia? |
| 4 | Existem riscos? Quais são as probabilidades de haver infecção ou perda de sangue, depois deste procedimento? |
| 5 |
Quando saberei os resultados? |
| 6 | Se eu tiver um cancro, quem irá falar comigo acerca dos próximos passos a seguir? Quando? |






