Como é avaliada a extensão do cancro da próstata?


 

Estadiamento do cancro

 

Para poder avaliar a extensão e o estadio do cancro da próstata, isto é, a dimensão do cancro e os locais para onde se espalhou, o seu médico pode solicitar vários testes e exames complementares, de acordo com a sua situação.

O estadio do cancro é um dos factores mais importantes na escolha das opções de tratamento, bem como na definição de qual vai ser a evolução futura.

 

 

História Clínica

 

Para poder fazer o "quadro" completo da situação, o seu médico irá falar consigo, fazer algumas perguntas relacionadas com a sua história clínica pessoal e familiar (para poder equacionar a possível presença de determinados factores de risco), avaliar a presença de outros sintomas, tais como queixas urinárias, dores ósseas, alterações sexuais, perdas de sangue na urina ou no esperma, etc., e avaliar outras doenças concomitantes.

Fará, também, um exame físico, com: toque rectal, que permite avaliar a extensão do tumor na próstata e nos órgãos vizinhos; observação de outras áreas do corpo, procurando alterações que se relacionem com o cancro, nomeadamente ao nível dos gânglios linfáticos e ósseo.

Deverá levar para a consulta e mostrar ao seu médico, qualquer exame que tenha realizado previamente, mesmo que lhe pareça irrelevante e não relacionado com a actual situação, bem como medicamentos que esteja a tomar.

 

 

Análises clínicas ou exames laboratoriais

 

As análises ao sangue, urina e outros fluidos, podem ajudar o médico a fazer o diagnóstico de qualquer situação que não seja normal: permitem demonstrar como é que um órgão como, por exemplo, o rim, está a desempenhar a sua função.

 


Exames imagiológicos


Nem todos os doentes com cancro da próstata necessitam de exames de imagem: os dados do PSA, do toque rectal e da biópsia orientam nesta decisão.

Os exames que recorrem à imagem de determinadas áreas do corpo são muito úteis, pois ajudam o seu médico a detectar a presença de inúmeras situações anómalas, incluindo a possível presença de um tumor.

As imagens podem ser obtidas de diversas formas:

Ecografia transrectal: meio de diagnóstico que utiliza ondas sonoras de alta frequência (ultra-sons) que, ao serem reflectidas na próstata, e através de um computador, permite produzir imagens. Neste caso, a sonda é inserida no recto; permite visualizar a próstata e a sua relação com os órgãos vizinhos.




Cistoscopia/Uretroscopia: através de um tubo fino e iluminado, o médico observa o interior da uretra e da bexiga. Pode usar-se em casos em que há suspeita de invasão da bexiga ou quando há obstrução marcada da uretra, para fazer uma remoção parcial do tumor – ressecção trans-uretral prostática (RTUP).

Cintigrafia óssea: estudo do osso com radioisótopos. É injectada uma pequena quantidade de substância radioactiva, que entra na corrente sanguínea e vai depositar-se em áreas ósseas anómalas. Através de um aparelho chamado scanner, a radioactividade é detectada e medida. O scanner regista a imagem desses ossos num filme de raio-X. O nosso organismo elimina rapidamente a substância radioactiva.

TAC (tomografia axial computorizada): através de uma máquina de raios-X, ligada a um computador, são obtidas uma série de imagens detalhadas dos órgãos. Para melhor visualização das imagens, pode ser injectado na veia e ingerido um contraste.

RM (ressonância magnética): através de ondas de rádio e um íman forte, ligado a um computador, são criadas imagens detalhadas de determinadas zonas do corpo. O médico pode, depois, ver essas imagens num monitor e imprimi-las em filme.

Biópsia ganglionar

Linfadenectomia pélvica: remoção de gânglios linfáticos, geralmente efectuada durante o procedimento cirúrgico da prostatectomia radical, para determinar se os gânglios regionais estão afectados pelo tumor. Em caso afirmativo, na maioria dos casos a cirurgia não prossegue e a próstata não é retirada, dado que a possibilidade de a cirurgia curar o cancro é muito baixa e este procedimento pode ter vários efeitos laterais e complicações.

 

Linfadenectomia por laparoscopia: consiste na introdução, através da parede abdominal, por um pequeno orifício, de um tubo com uma câmara de vídeo na ponta, que permite visualizar o interior da cavidade abdominal e pélvica e remover os gânglios suspeitos. Raramente é usada em situações em que é importante conhecer o estado dos gânglios e a prostatectomia não está planeada, como no caso de alguns doentes que optam por ser tratados com radioterapia. Como as incisões abdominais são pequenas, geralmente o doente recupera em 1 a 2 dias, e pode ter "alta" hospitalar.

 

Biópsia aspirativa por agulha fina: efectuada quando há suspeita de metástase ganglionar na cavidade pélvica ou à distância. É feita com a introdução de uma agulha fina, guiada por TAC, com  biópsia do gânglio afectado. É um procedimento realizado em ambulatório.

 

Existem 3 maneiras para os tumores se "espalharem" pelo organismo:

  • Por invasão directa dos órgãos vizinhos.
  • Através dos vasos e gânglios linfáticos.
  • Através da corrente sanguínea.

O sistema de estadiamento do cancro mais comum,  utilizado na maioria dos tipos de cancro, é designado por "Sistema de Estadiamento TNM", e considera: o tamanho do tumor - T, o envolvimento dos gânglios linfáticos próximos do tumor primário - N - e a presença, ou não, de metástases à distância - M.

Depois, em função do respectivo resultado TNM, as diferentes situações são "agrupadas" por estadios, para que possa haver critérios e normas comuns, para abordagens "semelhantes". Ainda assim, cada caso é um caso e as abordagens serão personalizadas.

O médico pode classificar o estadio do cancro da próstata através de numeração romana (I-IV):

 

Estadio I: tumor não palpável durante o exame rectal; é detectado "por acaso", quando se faz uma cirurgia por outro motivo, geralmente por HPB. O tumor está circunscrito à próstata.

 

 

Estadio II: tumor mais avançado, mas ainda não metastizou para os gânglios vizinhos nem para outros órgãos à distância.

Estadio III: tumor já disseminado para além da camada exterior da próstata. Pode ser encontrado nas vesículas seminais, mas ainda não atingiu os gânglios linfáticos nem outros órgãos à distância.


Estadio IV: tumor com uma ou mais das seguintes características:

Tumor que invadiu a bexiga, o recto ou as estruturas circundantes (para além das vesículas seminais).

 

Tumor que metastizou para os gânglios linfáticos.

 

Tumor que metastizou para outras partes do corpo, como por exemplo para os ossos.

 

 

Depois de determinadas as categorias T, N, e M, faz-se a combinação com o “Score de Gleason”, de forma a determinar os estadios, que vão orientar as opções terapêuticas e dar informação sobre a evolução ou prognóstico da sua situação.

Quando se fála em cancro da próstata recorrente, significa que temos um tumor, que foi tratado, e que voltou a aparecer, passado algum tempo. Pode surgir na próstata, ou noutra parte do organismo.

O tumor pode metastizar para vários locais, sendo os mais frequentes: gânglios linfáticos, osso, pulmão, fígado.

 

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