O que é o cancro do pulmão?


 

divisão de células

O nosso organismo é constituído por muitos milhões de células, que se reproduzem pelo processo de divisão celular. Em condições normais, este é um processo ordenado e controlado, responsável pela formação, crescimento e regeneração de tecidos saudáveis do corpo.

   

 
No entanto, algumas vezes as células perdem a capacidade de limitar e comandar o seu próprio crescimento passando, então, a multiplicar-se muito rapidamente e de forma descontrolada.

 

Como consequência desse processo de multiplicação desordenada das células, ocorre um desequilíbrio na formação dos tecidos do corpo, no referido local, formando o que se conhece como neoplasia maligna ou cancro.

 

O cancro vai crescendo localmente mas, num dado momento, as células separam-se e penetram nos vasos sanguíneos e linfáticos, entrando em circulação. Assim, podem viajar e atingir outros órgãos no organismo, formando metástases (ou tumores secundários).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A maioria dos cancros do pulmão tem origem nos brônquios, embora também possa ter origem noutras partes do pulmão, como os bronquíolos e alvéolos. Em geral, o cancro do pulmão demora vários anos a formar-se. Muitas vezes, existem lesões pré-cancerosas. Estas, não são ainda tumores, não causam sintomas e não se vêm nos exames de imagem habituais. Com o tempo, estas lesões podem transformar-se em cancro. Na presença de cancro, formam-se vasos sanguíneos para alimentar o próprio tumor e este começa a crescer. Em determinado momento, passa a provocar sintomas e já pode ser visível nos exames disponíveis. Como nas fases iniciais é, frequentemente, assintomático, o cancro do pulmão muitas vezes é encontrado e detectado já numa fase mais avançada, podendo já ter metastizado, tornando o seu tratamento mais complexo.

 

 

 

Quais os tipos de cancro do pulmão existentes?



Os tumores que têm origem no pulmão dividem-se em dois grupos principais: o cancro do pulmão de não-pequenas células (CPNPC) e o cancro do pulmão de pequenas células (CPPC), dependendo do aspecto das células envolvidas. Ocasionalmente, o tumor pode apresentar células dos dois tipos e, então, chama-se misto (situação rara).

 

Estes dois tipos de cancro do pulmão têm um comportamento distinto, pelo que também o seu tratamento é diferente.

 

Por outro lado, também o "comportamento" e evolução podem ser diferentes, de pessoa para pessoa.

 

É importante ter presente que cancros com origem noutros órgãos (ex.: mama, estômago, pâncreas, rim, etc.) e que metastizaram para o pulmão, não são cancros do pulmão e, como tal, devem ser tratados em função do órgão de origem.

 

 

Cancro do pulmão de não-pequenas células (CPNPC)

O CPNPC é o mais comum (85 a 90% dos casos de cancro do pulmão).

Existem três sub-tipos. A sua designação provém do tipo de células onde o tumor se desenvolve:

  • carcinoma de células escamosas ou carcinoma epidermóide: corresponde a cerca de 25 a 30% dos casos; tende a localizar-se na zona mais central do pulmão, na proximidade de um grande brônquio e quase sempre está relacionado com o tabaco.
  • adenocarcinoma: representa cerca de 40% dos casos e tende a ser encontrado mais na periferia do pulmão.
  • carcinoma  de grandes células: corresponde a 10-15% dos casos, pode localizar-se em qualquer parte do pulmão e tende a crescer mais rapidamente e a ser mais agressivo.

 


Cancro do pulmão de pequenas células (CPPC)

O CPPC é menos comum do que o CPNPC, e representa 10 a 15% dos casos de cancro de pulmão.

 

Ocorre quase na totalidade em fumadores; regra geral, começa num brônquio central, cresce e metastiza rapidamente, antes de provocar sintomas específicos. Este facto é de extrema importância porque, na maioria dos casos, quando é feito o diagnóstico, já estão vários órgãos afectados.