Qual o papel da cirurgia no tratamento do cancro do pâncreas?


 

Os doentes podem ser submetidos apenas a cirurgia ou a uma combinação de cirurgia com radioterapia, ou quimioterapia.


O cirurgião pode remover a totalidade ou parte do pâncreas. A extensão da cirurgia depende da localização e do tamanho do tumor, do estadio de evolução da doença e do estado geral do doente.

 

 

Operação de Whipple: se o tumor estiver localizado na cabeça  do pâncreas (a parte mais larga), o cirurgião remove a cabeça do pâncreas, uma parte do intestino delgado, o ducto biliar e o estômago. Podem também ser removidos outros tecidos adjacentes.

 

Pancreatectomia distal: se o tumor estiver localizado no corpo e na cauda do pâncreas, o cirurgião remove estas duas zonas. Também o baço pode ser removido.

 

Pancreatectomia total: neste caso, o cirurgião remove a totalidade do pâncreas, uma parte do intestino delgado, uma parte de estômago, o ducto biliar comum, a vesícula biliar, o baço e os gânglios linfáticos adjacentes.

 

Por vezes, o cancro não pode ser totalmente removido. Mas se o tumor estiver a bloquear o ducto biliar comum ou o duodeno, o cirurgião pode criar um bypass. O bypass ajuda os fluidos a passar através do aparelho digestivo e pode reduzir a icterícia e a dor resultantes de um bloqueio.


Nalguns casos, o bloqueio pode ser aliviado sem recorrer a cirurgia de bypass. O médico utiliza um endoscópio para colocar um stent na zona bloqueada. Um stent é um tubo com uma rede metálica, ou de plástico, que ajuda a manter o ducto ou o duodeno abertos.


Após a cirurgia, alguns doentes são alimentados com líquidos, por via intravenosa (IV) e através de sondas colocadas no abdómen. Os doentes regressam, lenta e gradualmente, à ingestão de alimentos sólidos pela boca. As sondas são retiradas algumas semanas após a cirurgia.

 

 

Perguntas que pode fazer ao seu médico sobre... a cirurgia

1

A que tipo de cirurgia irei ser submetido?
2 Como me irei sentir, depois da operação?
3 Se tiver dores, como irei ser tratado?
4 Quantas operações destas se fazem no Hospital onde vou ser operado?
5

De que outros tratamentos irei necessitar?

6 Quanto tempo ficarei hospitalizado?
7 Irei necessitar de uma sonda após a cirurgia? Irei necessitar de alimentação especial?
8 Existem alguns efeitos a longo prazo?
9 Quando poderei retomar as minhas actividades normais?
10 Com que frequência irei necessitar de realizar exames médicos completos?

 

 

Quais os possíveis efeitos secundários da cirurgia?

 

A cirurgia do cancro do pâncreas é uma cirurgia major. Os doentes necessitam de ficar hospitalizados durante alguns dias após a cirurgia. Os doentes podem sentir-se fracos e cansados, sendo que a maioria necessita de ficar em repouso, em casa, durante um mês. O tempo até à recuperação é variável.


Os efeitos secundários da cirurgia dependem da extensão da cirurgia, do estado geral do doente e de outros factores. A maioria dos doentes tem dores nos primeiros dias após a cirurgia. A dor pode ser controlada com medicação; os doentes devem falar sobre o alívio da dor com o médico ou enfermeiro.


A excisão de parte ou da totalidade do pâncreas pode dificultar a digestão dos alimentos. A equipa médica pode sugerir um plano alimentar ou receitar medicamentos destinados a aliviar a diarreia, a dor, as cãibras ou as sensações de enfartamento.


Durante a fase de recuperação pós-operatória, o médico irá monitorizar minuciosamente a alimentação e o peso do doente. Inicialmente, o doente apenas pode ingerir líquidos; poderá receber outros alimentos por via intravenosa ou através de uma sonda colocada no intestino. Os alimentos sólidos serão gradualmente adicionados ao regime alimentar.


Após a cirurgia, os níveis de hormonas ou enzimas pancreáticas podem estar muito baixos. Os doentes com níveis insuficientes de insulina podem desenvolver diabetes. O médico pode administrar ao doente insulina, outras hormonas e enzimas.

 

^ topo